Bancos sujos. Matos e áreas verdes sem capinar há meses. Lixo amontoado exalando mau-cheiro e servindo de “banquete” para moscas. E, para completar, um “zoológico” composto por formigas, aranhas, escorpiões, morcegos, ratos, baratas e cobras. Esse é o cenário com que os moradores do Jardim Redentor reclamam serem obrigados a conviver há anos nas várias praças existentes no bairro.
Revoltados com o abandono dessas áreas verdes e cansados de aguardar providências do poder público, de quem garantem já terem recorrido em vão por diversas oportunidades, habitantes do local apelaram para um protesto irônico ao instalar duas placas em uma das praças mais deterioradas do bairro, a Anália Ramos Mendes. Nela é possível avistar os seguintes dizeres pregados em árvores: “Cuidado com a onça” e “Proibido caçar”.
A dona de casa Heloísa Maria da Conceição Verinaud, moradora do Redentor há 16 anos em frente à praça, protesta que a degradação da área a obriga a conviver diariamente com ninhos de formigas sobre as calçadas e também com outras espécies de bichos que habitam a Anália Ramos Mendes.
“É uma pena vê-la nesse estado, pois este lugar já foi muito bonito. Faz muito tempo que ninguém da prefeitura aparece para cuidar dela e já cansei de reclamar disso. À noite, só durmo com a janela fechada com medo dos bichos que ficam por ali. Outro dia um morcego só não entrou em casa porque tomo essa providência e sofro muito com as formigas, pois elas têm ninhos na praça e estão começando a se alojar na minha casa”, critica Verinaud.
Além disso, a dona de casa considera a praça abandonada um perigo para toda comunidade, principalmente para as crianças. “Elas tentam brincar na praça, mas não conseguem. A criançada já encontrou todo tipo de bicho por aqui e minha filha já levou até picada de cobra-cega”, frisa ela.
Outra moradora das imediações, que pediu para não ter o nome revelado, confirma que o abandono já se arrasta por anos e lamenta a situação. “Dá dó ver as praças do Redentor, um bairro privilegiado em áreas verdes, nesse estado”, salienta. E acrescenta: “É algo preocupante, pois já tivemos problemas com a infestação de escorpiões e baratas por aqui e até hoje tentamos controlar isso, mas com as praças nessa condição fica difícil.”
A moradora ressalta que as iniciativas populares positivas no bairro voltadas à limpeza das praças são insuficientes para a manutenção correta dos locais. “Muitas pessoas se mobilizam para, dentro do que lhes é possível, varrer, capinar e podar. Isso é ótimo, mas há também quem atrapalhe jogando lixo nela”, pondera.
Para ela, atitudes individualistas como essa provocam um “efeito-bumerangue”. “Quem joga lixo nas praças ou nos terrenos baldios precisa saber que, ao fazer isso, vai se livrar do problema interno da residência, mas criará outros à comunidade e até para ela mesma, como o perigo da leishmaniose. É uma ignorância”, conclui.