08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A passagem de Chico Xavier


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A desencarnação de Chico Xavier teve dois aspectos distintos: o material e o espiritual. No material foram vistas pelas pessoas que em Uberaba compareceram, enormes filas de homens, mulheres e crianças, vindas de toda parte do Brasil e até de outros países, para render suas homenagens póstumas àquele que durante 75 anos de atividade, trabalhou em prol dos mais necessitados, dando consolo, paz e ajudas diversas, psicografando mensagens do além que muito consolo trouxe às mães e pais que perderam seus filhos e deles receberam notícias através das mãos de Chico.

O corpo sem vida ficou por 48 horas exposto conforme pedido do próprio Chico, para que todos pudessem vê-lo pela última vez. Uberaba ficou congestionada de pessoas e veículos que compareceram para dar o adeus àquele filho pródigo que só soube fazer o bem a quem o procurasse.

Já no plano espiritual inúmeros grupos de espíritos do Brasil e do exterior se dirigiram para a cidade de Uberaba, com destino ao Grupo Espírita da Prece, onde estava sendo realizado o velório.

Uma faixa de luz azulínea resplandecente pairava sobre a casa humilde do médium, ligando-a às esferas superiores. Era como um luminoso arco-íris.

Embora desligado do corpo físico, nosso Chico em espírito qual uma criança, ressonava tranqüilo no colo de sua segunda mãe, d. Cidália, ao lado do corpo desencarnado, pois d. Maria João de Deus, sua primeira mãe, se encontrava encarnada no seio da própria família.

Duas imensas filas constituídas de encarnados e desencarnados, reverenciavam o corpo do falecido. Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas, formavam um halo de luz protetor que tudo iluminava num raio de cinco quilômetros; porém essa luz amarelo brilhante contrastava com a faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento.

A cena era grandiosa demais para ser descrita num simples papel. Uma música suave ecoava entre os espíritos ali presentes, vinda não se sabe de onde. Caravaneiros não cessavam de chegar, todos portando flâmulas e faixas com dizeres luminosos. Jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo. Com exceção do Cristo não houvera espírito que tivesse feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier. Em semicírculo uma comissão de nobres espíritos luminicentes permaneciam em expectativa. Eram eles os mentores das obras de “André Luiz”, Eusébio, Aniceto, Calderaro, Aulus, etc.

Para quem não sabe, Chico Xavier era a reencarnação de Allan Kardec, o grande codificador do espiritismo. A multidão de seres dos dois lados da vida continuava a crescer cada vez mais, à medida que o tempo passava.

Os filamentos perispirituais que uniam o espírito recém-desencarnado ao corpo enrijecido, se enfraqueciam gradualmente, no entanto, devido a necessidade de permanecer 48 horas exposto à visitação pública, conforme era seu desejo, exigia que o corpo, de certa forma, continuasse a receber suplementos de princípio vital, evitando-se os constrangimentos da cadaverização. Chico no colo daquela que fora sua segunda mãe, guardava relativa consciência de tudo que acontecia ao seu redor.

À medida que se abeirava a hora do sepultamento, a faixa de luz azulínea, mais se intensificava. Com certeza aquele caminho iluminado levaria Chico para dimensão desconhecida de nós.

De repente, perfume inebriante tomou conta do ambiente espiritual e explosões começaram a ocorrer na faixa de luz mudando a tonalidade, se transformando num arco-íris. Gradativamente cinco entidades iluminadas tomaram forma nas figuras de Bezerra de Menezes, Emmanuel, Eurípedes Barsanulfo, Veneranda e Celina, a excelsa mensageira de Maria de Nazaré. A visão fez com que todos se ajoelhassem, com os olhos banhados em pranto diante da grandeza do acontecimento.

Quando aqui na terra se preparava o início do funeral e o povo cantava “Nossa Senhora”, no espaço uma luz indescritível superior à luz do sol, iluminou a faixa que descia do céu e uma voz melodiosa se ouviu: “Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Aquela extraordinária visão, aquela luz intensa que se humanizava parcialmente, estendeu dois braços reluzentes e humanizados e nesse momento Chico em espírito se transferia dos braços de Cidália para aqueles Braços que o atraíam.

Aquela potente luz que quase cegava os espíritos presentes, estreitou Chico Xavier ao peito e depositou-lhe um beijo santo na fronte e, em seguida, partiu, levando-o consigo, despediu-se com inesquecível sorriso. A faixa de luz foi encolhendo-se da terra para o céu onde desapareceu. Essa visão do Cristo para os desencarnados foi única na vida de cada um. Nunca se chorou tanto.

Obs. - Maiores detalhes você encontra no livro “Na próxima dimensão”, ditado pelo espírito Inácio Ferreira com psicografia de Carlos A. Baccelli.

Ismael Henrique Patricio - RG 3.109.360