09 de julho de 2026
Polícia

Novo diretor da Febem usará a simplicidade para educar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Jorge Lelis Pinholi assumiu ontem a direção da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), em substituição ao também coronel Cid Monteiro de Barros. Assim como seus cinco antecessores, ele tem como meta (re) educar os internos, que há pouco mais de um mês estavam rebelados.

“Vamos fazer tudo para que eles paguem o que devem à sociedade, se eduquem e saiam daqui com a cabeça erguida. Se fosse fácil, eles não dariam (o cargo) para mim. Minha linha de trabalho é simples, foi isso que a vida me ensinou”, diz o novo dirigente.

Pinholi quer sua gestão balizada pela transparência e disciplina. “Cada um tem de fazer a sua parte, seu dever. Eu jogo aberto com as pessoas. Vamos seguir todas as normas de procedimento, isso dá segurança para todo mundo”, acrescenta.

As posições de Pinholi vão ao encontro das expectativas do diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), Heitor Teodoro. Ele espera que o novo diretor prime pela segurança, disciplina e pedagogia.

No entanto, o tenente-coronel não pensa em mudar a estrutura da unidade de Bauru, iniciativa que preocupava seu antecessor. Em entrevista concedida ao JC, Cid Monteiro de Barros disse que tentou implementar alterações, como mudanças no quadro de funcionários e implementação de cursos profissionalizantes, mas não teria encontrado respaldo da instituição. Em várias ocasiões, o sindicato também denunciou escassez de funcionários.

“Vou me adequar (à estrutura) e colaborar com minha experiência. Não dá para chorar, o quadro está bom. O Estado não pode pagar o ideal. Vamos ter de trabalhar com o que temos. Estou entrando sabendo disso. Só faltou sorte (para Cid). Quem sabe com a ajuda de Deus eu tenha sucesso”, conclui. Inicialmente, ele terá o respaldo de duas supervisoras da fundação que, para orientá-lo, vieram de São Paulo.

Foi de lá que partiu o telefonema o convidando a trabalhar pela recuperação dos internos. Aos 52 anos, Pinholi aceitou o desafio, apesar da resistência da família. Casado e pai de três filhos, o novo diretor atuou durante 30 anos na PM, onde exerceu funções na área operacional, financeira e educacional da corporação, informa a assessoria de imprensa da Febem.

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Missões

O novo diretor da unidade de Bauru da Febem, Jorge Lelis Pinholi, assume a função com várias missões. Entre elas a de manter intercâmbio com entidades que também exerçam atividades com menores, informa a assessoria de imprensa da fundação.

Será sua atribuição a participação em programas comunitários e a busca da colaboração da sociedade no desenvolvimento de programas de reintegração social, cultural, educacional e profissional dos adolescentes.

Pinholi terá ainda como compromisso selecionar e preparar pessoal técnico necessário à execução das atividades, mantendo processo de formação contínua, lista a assessoria de imprensa, para quem as decisões da Vara da Infância e Juventude devem ser cumpridas.

Da Redação

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Histórico

• A Febem foi inaugurada em Bauru no Núcleo Habitacional Presidente Geisel, em fevereiro de 2002, mas começou a receber os adolescentes apenas três meses depois. Concebida como uma unidade-modelo, foi palco de diversas fugas em massa, rebeliões e tumultos.

• Os problemas começaram já na gestão da primeira diretora da unidade, Edinéa Sita Cucci, exonerada em abril de 2003 sob acusação de ter cometido irregularidades administrativas. Sua substituta, Maria Aparecida Cavalheiro Bien, permaneceu por sete meses. Em outubro de 2003, o psicólogo Paulo Orti assumiu a direção da unidade. Ele permaneceu menos de quatro meses no cargo, sendo exonerado em janeiro do ano passado.

• No mês seguinte, assumiu a entidade a professora Celi Aparecida Martins Perpétuo. Ela foi substituída por Cid Monteiro de Barros, diretor que enfrentou a ocorrência mais séria da história da unidade. Em fevereiro deste ano, um adolescente de 17 anos foi morto com golpes de um objeto pontiagudo, durante uma briga de internos. Além da vítima fatal, outros três foram agredidos na ocasião.