A instalação dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) pretende, na perspectiva da Prefeitura de Bauru, acabar com o assistencialismo que cria a dependência de famílias, como a de Maria do Socorro Miranda Parreão. Ela reside a 200 metros da primeira unidade do Cras na cidade, inaugurada ontem no Núcleo Nova Bauru, que já atenderá 200 famílias em situação de risco inseridas no Cadastro Único do Governo Federal.
A proposta é abrir mais cinco Cras ainda neste ano, tendo como referência os principais bolsões de pobreza. A segunda unidade será inaugurada na próxima sexta-feira, no Jardim Terra Branca, e progressivamente mais quatro centros serão abertos.
Para a vida da família de Maria do Socorro, a intervenção do Núcleo de Apoio Sócio-Familiar (NAF) do Nova Bauru, agora integrado com o Cras, tem sido fundamental. Ela explica que sua família é dependente da assistência social do município.
A pretensão da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) de Bauru é romper com este ciclo que atinge, conforme levantamento da Sebes, cerca de 80 mil pessoas no município. “Não vamos tutelar a família. Quando ela faz com a gente seu plano de emancipação, vai se comprometer a participar como sujeito ativo da sua vida para buscar essa emancipação”, ressalta a titular da Sebes, Egli Muniz.
Ela explica que as famílias que já recebem algum benefício - como Bolsa-Família, Viva Leite e Renda Cidadã - serão atendidas pelos técnicos do Cras para, progressivamente, não dependerem de políticas assistencialistas.
O prefeito Tuga Angerami (PDT) diz que iniciativas da administração estão sendo feitas, como geração de empregos, voltadas à prevenção da tendência de se manter investimentos apenas em assistencialismo. “Em certos momentos de risco (das famílias), as pessoas têm que ter uma atenção especial. Mas o objetivo não é a manutenção do vínculo permanente. É que as pessoas alcem vôo e ganhem autonomia.”
O Cras se traduz em um pacote de serviços que vai respaldar o processo de autonomia das famílias. Muniz explica que os usuários terão pronto atendimento social, apoio psicológico, assistência à saúde e orientação jurídica. O programa está articulado com outras ações sociais dentro de uma rede ampla.
O Cras atua integrado a serviços voltados a crianças de 0 a 6 anos, que cuidam do fortalecimento dos vínculos familiares. Para a faixa etária de 7 a 14 anos, a Sebes desenvolve programas socioeducativos complementares à escola. Para o jovem, o atendimento complementar será no Centro de Convivência da Juventude, com programas de cultura, lazer e cidadania. Os idosos também serão contemplados.
Muniz explica que a rede do Cras se interligará com o Centro de Pesquisa e Encaminhamento para o Trabalho (Cepet), que está somando esforços com o Centro de Orientação para o Trabalho (COT).
Os NAFs do Parque Jaraguá (parceria prefeitura-ITE) e Ferradura Mirim (parceria prefeitura com a USC) passam a oferecer os programas Pronto Atendimento Social, Geração de Renda e Primeiro Emprego. Os NAFs do Nova Bauru e Parque Real vão ter apenas o Pronto Atendimento e Geração de Renda.
• Serviço
O Cras Nova Bauru atende a partir de segunda-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. O endereço é rua Laurindo Palaro, 1-75. A unidade está dimensionada para atender a população do Jardim Ivone, Vila São Paulo, e Pousada da Esperança 1 e 2.
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Família resiste
Num universo populacional de aproximadamente 80 mil pessoas apontado pela secretária do Bem-Estar Social, Egli Muniz, como em estado de pobreza em Bauru, se situa a família de Maria do Socorro Miranda Parreão. Ela, o marido Jonas dos Santos e dois filhos, de 3 anos e 13 anos de idade, vivem uma situação de penúria e da ajuda de conhecidos e da rede de assistência social do poder público.
Maria conta que, há seis meses, vem sendo atendida no Núcleo de Apoio Sócio-Familiar (NAF), que fica a 200 metros de sua residência. Essa tem sido a única ajuda que conseguiu do poder público. Recebe cesta básica e está empolgada com a possibilidade de poder gerar renda a partir do que aprendeu em cursos de capacitação. Maria demonstra ter muita vontade de iniciar um negócio próprio. Porém, na situação econômica em que a família estava, seria impossível investir.
Agora, com o marido trabalhando, já planeja a compra do material para produzir chinelos. No novíssimo emprego, Santos ganha pouco mais de R$ 300,00 mensais. Maria está sem trabalho fixo há três anos devido a um tratamento de fissura, que está sendo feito no Centrinho da USP-Bauru.