10 de julho de 2026
Auto Mercado

Marcel conta (quase todos) os segredos do 'passeio' no Brasileiro

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O piloto bauruense Marcel Sona Cardoso deu show na etapa de abertura do Campeonato Brasileiro de Supermotos realizada, no último domingo, no kartódromo Toca da Coruja. Ele foi o destaque da competição - a primeira oficial do País organizada pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) em parceria com a Carlinhos Romagnolli Promoções e Eventos -, pois, além de ter largado na pole e vencido a prova de ponta a ponta, terminou a corrida com uma vantagem de mais de 40 segundos sobre o segundo colocado.

Correndo na categoria SM1, a principal da modalidade que reúne motocicletas preparadas especialmente para andar, ao mesmo tempo, no asfalto e na terra, Cardoso não deu chances aos concorrentes e dominou a prova com facilidade poucas vezes vista no esporte, que nasceu na década de 70 nos Estados Unidos e, rapidamente, ganha terreno no Brasil.

Mas as razões para o desempenho acachapante de Cardoso teve seus segredos. Ele revela alguns, mas outros, fundamentais para diferenciar-se na pista dos adversários, nem sob tortura medieval. O piloto considera que um conjunto de fatores técnicos e de pilotagem foram determinantes para obter o resultado devastador na etapa.

Na concepção do piloto, a experiência de 20 anos no motociclismo, competindo no motocross e tendo um bom contato com a motovelocidade através das superbikes, foi um dos principais. “Toda minha bagagem no motocross e no asfalto com as superbikes estou aplicando agora nesse esporte”, destaca.

Isso, e a contratação do preparador Cláudio Loris, com quem já havia trabalhado de 1988 a 1990 no campeonato brasileiro de motocross, auxiliaram Cardoso no intenso desenvolvimento dos equipamentos da motocicleta. “Mecanicamente, aprimoramos tudo o que o regulamento das supermotos permitia, possibilitando um acerto diferente da moto em relação aos concorrentes”, frisa o piloto. E acrescenta:

“Busquei regulagens diferentes, deixando a moto com um conjunto mais explosivo, nervoso e desgastante para guiar. Mesmo assim, o acerto se sobressaiu sobre os adversários, que privilegiaram motocicletas mais fáceis de pilotar.”

Entretanto, ele propositalmente “esconde o jogo” ao ser questionado em quais itens mexeu na moto, bem como no estilo de pilotagem. “Fiz coisas diferentes do comum na categoria, mas nada fora do regulamento”, despista Cardoso.

Por isso, mesmo desconhecendo o traçado da próxima pista, ele mostra confiança para a segunda etapa do campeonato, prevista para ocorrer no município de Avaré, nos dias 11 e 12 de julho. “Não vou mudar, pois acho que estou no caminho certo. E ainda tenho umas cartas na manga que, se a coisa complicar, vou usar no campeonato”, salienta o “misterioso” piloto.

O piloto também faz questão de enfatizar a qualidade dos adversários e das motocicletas presentes na primeira etapa. “A etapa trouxe diversos pilotos conceituados na motovelocidade e no motocross, como o Rafael Paschoalin, o Dado Mosquetto, o Rodrigo de Benedictis e o de Carmo, que competiu todo o ano passado nas supermotos americanas. Além disso, em Avaré, o atual campeão brasileiro de motocross, Jorge Balbi, estará presente”, ressalta.

Já sobre as motos, Cardoso afirma que o campeonato limita a potência entre as categorias. “O regulamento é igual para todos. Não tem essa de que a minha ou outra motocicleta é mais potente, pois na SM1 todas são de 450 cilindradas”, conclui o piloto.