08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

RODEIO


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O senhor José M. Viana de Macedo e a senhora Vera R. J. Cardoso em seus posicionamentos quanto aos rodeios deixam expõem suas convicções subjetivas e aleatórias a esta atividade. É claro que fica muito difícil estabelecer um critério, quando adentramos ao campo filosófico da questão. De qualquer maneira, vale ainda alguns esclarecimentos aos leitores, quanto à relação existente entre o rodeio na agropecuária e o rodeio, uma festa popular.

Segundo o dicionário Aurélio: rodeio é o “ato de ajuntar o gado para marcá-lo ou para curativos”. Tem origem no campo, onde, no dia-a-dia das fazendas, rodeio é o trabalho que o peão desenvolve para verificar, numa invernada, o rebanho, onde vacas com bezerros, novilhas ou bois, com algum problema, necessitam de ajuda para algum procedimento de tratamento. Referem-se os senhores José e Vera: “as terríveis provas do laço ao bezerro”. Pois bem, como imaginar pegar um bezerro num rebanho, de por exemplo 500 cabeças em 50 alqueires, no meio do pasto, sem laçá-lo? Imaginam os senhores José e Vera que é possível pegar o bezerro com um torrãozinho de açúcar?

Um cavalo antes de aceitar a sela e o freio que possibilite um peão montá-lo, necessita passar por um processo de doma, pois, pensar que se pega um animal chucro no campo e se monta sem domá-lo é, no mínimo, muita ingenuidade. Vale lembrar novamente que os animais que não se consegue domar é que são destinados às montarias em rodeio.

Então, o que se pratica numa Festa de Peão nada mais é do que a transferência da atividade do campo para uma arena, onde se alia competição, lazer e entretenimento. Absolutamente, os animais são maltratados. Claro que em todas as atividades existem os maus profissionais: os médicos que esquecem tesouras nos pacientes, os engenheiros que projetam pontes que caem, os advogados picaretas, as ONGs que recebem doações e seus militantes as desviam de seus objetivos, enfim, no rodeio não é diferente. Porém, os infratores devem ser personificados e punidos. Não é plausível generalizar, pois existem os maus e os bons profissionais.

Quanto à pesquisa da Unesp de Jaboticabal, liderada pelo professor Tenório de Vasconcelos, foi elaborada por mais quatro veterinários, todos Phds, e ainda que se queira denegrir e desvalorizar a pesquisa, uma instituição reconhecida internacionalmente como a Unesp jamais daria seu aval, se não fosse pela credibilidade e lisura da pesquisa. E ainda que os senhores José e Vera digam que conhecem “mais de dez laudos”, que supostamente imaginam ser o sédem um acessório que possa machucar os animais, não existe nenhum outro trabalho científico que prove o contrário, ou seja, o sédem não causa nenhuma lesão nos animais de rodeio.

Por fim, não é razoável, por exemplo, que nós, aqui no Brasil, apesar de não concordarmos com as touradas da Espanha, queiramos combatê-la, ainda que julguemos maus-tratos aos touros espanhóis. É uma manifestação cultural daquele povo, que tem que ser respeitada, gostemos ou não. Portanto, mais uma vez, clamo por bom-senso. Vamos respeitar a manifestação cultural do homem do campo no Brasil. (Carlos E. S. Padilha - RG 7.996.385)