08 de julho de 2026
Cultura

Fanatismo estelar

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Os fãs da saga cinematográfica de maior sucesso de todos os tempos vão se arrepiar novamente, em menos de três semanas, quando o tema de “Star Wars” ecoar pelas caixas de som dos cinemas de todo mundo e anunciar o princípio do fim. Com a estréia de “Episódio III: A Vingança dos Sith”, em 19 de maio, o diretor e produtor George Lucas encerra sua segunda trilogia da aventura intergalática, responde todos os porquês e amarra a história do garotinho tocado pela Força que se entregou ao Lado Negro e, de quebra, ganhou status de maior vilão do cinema.

Em todo o mundo, o burburinho sobre o filme já está se tornando um ruído insuportavelmente chamativo. Enquanto os departamentos de marketing da 20th Century Fox e da Lucasfilm distribuem trailers e comerciais de TV cada vez mais reveladores da grandiosidade do longa, fanáticos já se aglomeram nas filas de cinemas norte-americanos e japoneses.

Do outro lado da bilheteria, sortudos como o diretor Kevin Smith (de “Dogma” e “O Império do Besteirol Contra-Ataca”), notório fã da saga, são convidados a conferir o “Episódio III” em primeira mão. Em seu blog (http://newsaskew.com/blog), o diretor comentou que nunca teve experiência mais brochante do que a de assistir a um filme “espetacular” ao lado de engravatados chatos dos departamentos de marketing. “Por mais sombrio que ‘O Império Contra-Ataca’ seja, este filme é cem vezes mais sombrio”, contou, empolgado.

Em Bauru, alguns fãs também já estão roendo as unhas com a ansiedade da estréia da conclusão da nova trilogia. É o caso de Milton Nakata, designer e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que é apaixonado pela saga desde que assistiu ao primeiro filme – na verdade, o “Episódio IV: Uma Nova Esperança” - na época de seu lançamento no Brasil, há mais de 25 anos. “Tenho a impressão de que muita gente da minha geração ainda é fã, mesmo que mantenha isso escondido”, brinca.

De acordo com Nakata, o que lhe marcou no primeiro filme foi a - até então inédita - qualidade e grandiosidade dos efeitos especiais para filmes de ficção científica. “Não havia nada parecido, pois havia muitas limitações na época. Hoje, isso é superado pela criação digital. Com um mínimo de criatividade, essa distância entre o que você imagina e o que executa é muito pequena”, observa.

Como bom fã do universo criado por George Lucas, o professor defende sua preferência pela trilogia original, composta pelos filmes lançados em 1977, 1980 e 83. “Os filmes são mais cativantes, não só pelo aspecto revolucionário da produção, mas pela maneira que introduz a história. O conjunto das tramas é mais completo e, analisando criticamente, isso foi um pouco camuflado nos filmes novos (episódios I e II) com a grande quantidade de efeitos digitais”, opina Nakata.

Concorda com ele o universitário Rafael Prado Romanolli, que também tem “O Império Contra-Ataca” como seu filme favorito da saga. “É o episódio mais denso, o mais bem amarrado e aquele que consegue deixar realmente na expectativa pelos acontecimentos do terceiro filme da primeira trilogia”, analisa.

Para o assistente bancário Samuel Garcia Pereira, o impacto causado pelos três primeiros filmes na indústria cinematográfica e no público nunca mais vai se repetir. Ele relata que assistiu à primeira trilogia na TV, quando ainda era criança. “Lembro que assisti ‘Guerra nas Estrelas’ (o Episódio I) na Globo e daí para frente foi amor eterno (risos). Todo mundo que é fã de ‘sci-fi’ (ficção científica) gosta de ‘Star Wars’ e tem os filmes como referência”, destaca.

Velhas surpresas

Na expectativa pela conclusão da segunda trilogia, os fãs aproveitam os filmes antigos, os trailers e informações divulgadas sobre a produção para imaginar o que George Lucas reservou para “Episódio III – A Vingança dos Sith”. Na verdade, não há muito segredo no conteúdo da trama, afinal o que se segue após a conclusão do filme são acontecimentos da primeira trilogia (episódios IV, V e VI).

Ainda assim, o universitário Gabriel de Oliveira, fã da série desde a infância, comenta que a expectativa é grande justamente por conta do filme ser a ponte entre a trilogia original e os dois filmes lançados nos últimos anos. “Todos esperam que esse filme seja bem melhor que os dois anteriores, porque vai matar a curiosidade de saber como Anakin se transforma em Darth Vader. É para isso que a nova trilogia foi feita”, afirma.

Rafael Romanolli detalha que o terceiro episódio explicará o fim das Guerras Clônicas, o surgimento do Império sob o comando de Darth Sidious e a fuga da senadora Amidala, grávida de Luke e Leia. “O que eu mais espero ver é a luta entre Obi-Wan Kenobi e Anakin, quando ele já está dominado pelo Lado Negro da Força. O primeiro filme faz referência a essa batalha entre os dois, que acaba resultando na mutação de Anakin para o Lorde Vader, que é um ser meio máquina e quase nada humano”, atenta.

Já Milton Nakata vem tentando não elevar muito suas expectativas, receoso de que se frustre após assistir ao filme. “Tenho lido matérias, procurado informações na Intenet e estou aguardando o melhor. Acredito que será um bom desfecho, com enfoque mais dramático. Procuro não criar muita ansiedade para ser surpreendido. Espero que isso ocorra, até por ser o último filme. Vai ficar uma pontinha de saudade”, finaliza o professor.

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