08 de julho de 2026
Esportes

Basquete: 'Grego' é reeleito presidente da CBB

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Rio de Janeiro - Em uma sessão tumultuada, os dirigentes do basquete nacional reelegeram ontem pela manhã Gerasime Nicolas Bozikis, o Grego, para seu terceiro mandato à frente da Confederação Brasileira, até maio de 2009. Em cenas que pareceram ter sido escritas para um filme de comédia-pastelão, o presidente da CBB derrotou por 18 votos a nove seu oponente Hélio Barbosa.

A sessão começou com ânimos exaltados porque a eleição que deveria ter sido o último item da pauta, a pedido de 18 presidentes de federações estaduais, passou a ser o primeiro. Em seguida, novas manifestações de descontentamento, já que o grupo de Barbosa queria uma votação secreta, procedimento rejeitado pela maioria em plenário.

Durante a votação, cada voto dado a Barbosa era geralmente precedido de um discurso contra as duas gestões de Grego, que até então permaneceu impassível às provocações. Do total de 27 federações estaduais, votaram a favor do candidato da oposição: Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí e Rio de Janeiro.

Ao final da escolha, os oposicionistas ainda tentaram adiar a homologação do resultado pedindo 20 dias para analisar as contas apresentadas por Grego, referentes ao ano de 2004, atitude ridicularizada pelo bloco da situação. Ter as movimentações financeiras aprovadas era um requisito para o dirigente concorrer à reeleição.

No ato da proclamação do resultado final, até um terceiro candidato ressurgiu. O ex-técnico da Seleção Brasileira José Medalha, que semanas antes do pleito retirou a candidatura e declarou apoio a Barbosa, protestou por não ter tido seu nome lido. Apesar da desistência, ele não oficializou o ato na CBB, o que tornou sua exigência válida e passível de ser atendida: “José Medalha: zero voto!”

Inconformado com a derrota, Barbosa passou a chamar de traidores os presidentes das federações de Amazonas, Acre e São Paulo. Frisou ter obtido previamente o apoio dos três, que não se confirmou durante a votação. “Falei que votava nele de brincadeira. Até porque não votaria contra o Grego”, justificou o dirigente paulista Antonio Chakmati.

No cargo desde 1997, o dirigente enfrenta várias críticas em relação à administração da entidade. Sob seu comando, a Seleção masculina não se classificou para as Olimpíadas pela segunda vez seguida, fato nunca ocorrido antes. O time feminino não leva medalha em torneios relevantes desde o bronze nos Jogos de Sydney-2000.

Sem resultados significativos, a confederação perdeu o patrocínio da Caixa Federal em 2001 - o valor do repasse era de R$ 2 milhões anuais. As estatais só voltaram ao esporte dois anos depois, com a Eletrobras. Hoje, a empresa banca as seleções masculina e feminina, com um total de R$ 6 milhões.

Neste ano, as contestações se intensificaram no embate entre CBB e os clubes do Nacional Masculino, que pediam mais subsídios da entidade. Diante da recusa da confederação em discutir o tema, os times fundaram a Nossa Liga de Basquetebol, que teve adesão de 15 dos 16 times que disputam o atual Campeonato Nacional - Ribeirão foi a exceção.

Em abril, Nenê, principal astro do País na NBA, pediu mudanças na administração da modalidade e anunciou boicote.

O presidente adotou um “discurso de paz”, em meio aos questionamentos da oposição. “Nunca existiu nem existirá retaliação. Vivemos numa democracia, e os presidentes votam em quem eles preferem”, disse ele.

Grego também afirmou que terá o desafio de vencer o Pan-2007. Segundo ele, o ouro é pedido do Comitê Olímpico Brasileiro. A idéia de atingir o topo do pódio supera a meta divulgada pelo COB no mês passado. O plano prevê apenas a disputa de medalhas, sem citar a cor delas.

A oposição da CBB aguarda a ata da assembléia para decidir se entram com ação na Justiça. Questiona a não-divulgação com 20 dias de antecedência das contas da CBB para apreciação e a mudança na ordem da reunião. A eleição de Grego aconteceu antes de suas contas terem sido aprovadas, o que contraria a legislação.