09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sinal vermelho para o verde


| Tempo de leitura: 2 min

Parece piada, mas “dirigir perigosamente” em Bauru está sendo atravessar o sinal verde. Não, não é brincadeira. O que realmente pára o trânsito nos cruzamentos de Bauru é o fluxo de veículos no sinal verde, e não mais o vermelho, pois os carros só param de furar o vermelho quando aqueles que estão no “seu verde” começam a atrapalhar o fluxo. Outro dia cheguei a ver o absurdo de uma senhora (bem senhora mesmo) parando seu carro ao ver o sinal amarelo! Onde já se viu! Foi uma cena realmente que me chocou: o sinal ficou amarelo e ela, que estava fora da zona de cruzamento, simplesmente parou! Será que ela não sabe que a modernidade bauruense já relegou ao descaso os sinais amarelo e vermelho? Creio que ela não se atualizou como deveria, já que atravessar os cruzamentos com os sinaleiros fechados é a atitude regular para motoristas novos ou idosos, ônibus ou caminhões, veículos de passeio ou peruas escolares. Felizmente, velhinhas assim são raras...

Não estou falando de casos eventuais, mas de rotina pura e simples mesmo. Inclusive, alguns motoristas bastante preocupados com a segurança alheia invadem os cruzamentos (muito embora o sinal esteja vermelho para eles) buzinando, avisando que Ele está passando. Quanta galhardia! E, se você reparou a grafia do “Ele”, deve estar entendendo corretamente: esses motoristas se julgam tão onipresente e onipotente quanto o próprio Todo Poderoso. Claro, é um todo poderoso um tanto mesquinho, já que o que lhe interessa é apenas o “venha a nós”, e nada para o “vosso reino”.

Além disso, andar de carro em Bauru é uma aventura legal, pois não somos tão sisudos como os paulistanos, que ficam enchendo os cruzamentos de radares fotográficos, nem tão provincianos como a maioria das cidadezinhas de nossa redondeza, onde o trânsito é um enfadonho, com todo mundo respeitando os sinais.

Aproveito o ensejo para sugerir à PM que dê folga aos policiais de trânsito da cidade, pois, conquanto freqüentemente vejo inúmeros deles (a pé, de bicicleta ou à cavalo) postados ao lado dos cruzamentos, nunca vi um sequer anotando placa de quem fura o sinal. Aliás, mesmo eu fazendo uso do carro ou moto todos os dias e passando por dezenas de cruzamentos, nunca vi esses policiais nem mesmo olhando para os semáforos. Admiro nossa polícia, seja ela qual for, mas se for para deixar o pobre policial ali, escaldando sob o sol, que o remaneje para outras atividades, pois sua atuação ao lado dos semáforos tem sido meramente ornamental.

Contudo, é melhor que isso continue assim mesmo: advogados terão sempre mais serviço, oficinas e funilarias prosperarão e empresas de seguro sempre mais clientes. O único problema é que, na maioria das vezes, o único sinal vermelho que faz tão habitual motorista bauruense parar são as manchas de sangue que ficam nos cruzamentos. Mas isso é outra história. O que vale é viver perigosamente e, de preferência, contra a lei.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173