09 de julho de 2026
Bairros

Obras paralisam Emei no Fortunato

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Alguns pais e alunos da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) “Myrian Aparecida de Oliveira”, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, foram surpreendidos ontem com a paralisação das aulas devido às obras de recuperação do telhado da escola. Os pais com filhos matriculados no período da tarde na Creche Berçário São José, a poucos metros da Emei, queriam que a direção da entidade ficasse com as crianças em período integral. Com a recusa da creche em abrigar um número maior de estudantes, ocorreu um princípio de discussão, logo abafado.

Porém, as mães retornaram para casa com seus filhos alegando perda do dia de serviço. A diretora da creche, Herondi Cerqueira de Souza, justificou sua atitude alegando que não tem como atender todos os alunos em tempo integral. A secretária municipal de Educação, Ana Maria Lombardi Daibem, preferiu amenizar o problema. Ela diz que do total de 278 alunos que estudam na escola, apenas quatro apresentaram problema.

“Eles não estavam criando problema na porta da Emei. Eles tiveram uma dificuldade na creche. Então, a dificuldade na relação comunidade-escola ocorreu com a creche e não com a Emei”, argumenta.

Ela acrescenta que todos os pais e alunos foram informados previamente sobre a suspensão das aulas. Entretanto, Herondi Souza disse ao JC que não recebeu nenhum aviso prévio do fato. Já Daibem ressalta que a creche foi comunicada ontem às 7h30, pela Secretaria de Educação, sobre a necessidade de absorver provisoriamente os 12 alunos atendidos simultaneamente pela escola e pela Emei.

A secretária diz que o problema entre pais e creche foi uma questão de critério, conforme informação apurada por Daibem com a diretora da entidade: “O critério é que oito (alunos) ela acolheu, porque são crianças que teriam dificuldade de voltar para casa por conta do trabalho dos pais. E quatro ela não acolheu porque, segundo ela (Souza), são mães que não trabalham e poderiam ficar com essas crianças em casa”.

A Secretaria de Educação projeta que a obra na Emei será encerrada no dia 11 e as aulas das turmas do pré, jardim 1 e 2 e maternal serão retomadas no dia seguinte.

Outra questão é que, conforme Daibem, a aparente beleza da escola não reflete a realidade dos problemas estruturais que o prédio acumula. Inaugurada há cerca de quatro anos, a unidade coleciona problemas. A secretária explica que recentemente já foi feita uma correção, com a amarração dos caibros de sustentação do telhado. “Havia o risco de desabar”, avalia.

Desencontros

A secretária de Educação explica que a direção da creche encaminhou, por ofício, a solicitação de mais três professores. Daibem esclarece que esse pedido não será avaliado agora. Ela argumenta que a administração municipal está, no momento, cumprindo os compromissos assumidos com as entidades.

Ontem, a professora da Emei, Maria Regina Fernandes Pereira, teve que administrar uma sala de aula pela manhã com 25 alunos. Mas seu cronograma de atividades estava dimensionado para 17 alunos. Ela comenta que havia organizado uma atividade voltada para o Dia das Mães que não pôde ser aplicada.

Ela explica que, por outro motivo, já recebeu a comunicação da Secretaria Municipal de Educação sobre a necessidade de absorver parte dos alunos, que hoje ficam um período na creche e outro na Emei. “Não sei onde eu vou colocar todo mundo. Mas termina esse problema de ir lá de manhã e vir aqui à tarde. Essa Emei está sempre com problema, como alagamento.” Daibem explica que o desejo de assimilar os 12 estudantes é da direção da creche, e que com a secretaria não estaria nada definido.