Algumas mães que dependem da Emei “Myrian Aparecida de Oliveira” para trabalhar reclamaram ontem do prejuízo pela perda do dia de serviço. Uma das mais revoltadas com a paralisação na escola era a diarista Kerem Cristina Lopes. Ela garantiu que sua falta ao trabalho vai gerar prejuízo de R$ 25,00, ocasionado por não ter com quem deixar a filha Giani, de 4 anos.
A diretora da Creche Berçário São José, Herondi Cerqueira de Souza, confirmou que a menina é matriculada na creche no período da tarde. A diretora esclarece que não ficou com a menina no período da manhã. “Hoje (ontem) eu falei que não dava para ela vir de manhã. O horário da Giani é ao meio-dia. Só que ela disse que não precisa da vaga, e eu já tenho outra na espera. Ou ela resolve ou eu vou eliminar”, justifica.
Souza esclarece que atende diariamente 102 crianças de 4 meses a 5 anos de idade. Além dessas, aguardam vaga na creche 130 crianças. Zuleica Ana Lopes, mãe de seis filhos, diz que não consegue vaga na creche. Dois dos filhos freqüentam a Emei. Diante disso, alega ser impossível trabalhar como diarista.
Dos sete filhos da catadora de papel Cássia Aparecida Mistrine, três passam um período na creche. Ela diz que um dia como o de ontem, em que não saiu para recolher material reciclável, significa R$ 20,00 a menos no orçamento semanal da família.
Como Mistrine, outras mães passaram apertado ontem sem um local para deixar os filhos. Ela conta que uma das filhas pequenas foi proibida de freqüentar a creche por apresentar um machucado no joelho, que está sendo medicado.
A diretora da creche explica que as normas para permanência de alunos na escola seguem cuidados para que doenças não sejam transmitidas. “Eu não recebo criança que está doente, com febre e não recebo criança suja. Criança com piolho não posso pegar porque passa para outras. Com doença contagiosa também não posso”, esclarece.