Em geral, as pessoas atribuem à língua menos importância do que ela de fato tem. Acostumados a usá-la a todo momento, convivem com ela de maneira tão natural, que quase não se dão conta de sua existência.
Basta, porém, uma simples observação para se perceber que a língua está presente no dia-a-dia de qualquer agrupamento humano e que é usada para as mais diversas finalidades: organizar nosso conhecimento do mundo e de nós mesmos, transmitir informações, influenciar o comportamento das pessoas e até causar prazer, provocado pelo próprio ato de falar.
Se os indivíduos tivessem consciência da importância da língua tanto para si mesmos quanto para a sociedade, seguramente dedicariam mais tempo para cultivá-la e teriam mais cuidado ao fazer uso dela. O domínio desse instrumento impõe-se como uma necessidade de primeira ordem e não como um saber meramente desejável.
Hoje, falarei sobre o uso exagerado do verbo no gerúndio. Esta forma nominal dos verbos é usada indiscriminadamente (eta palavra) pelos brasileiros em geral.
Portanto vejamos: o gerúndio apresenta um fato no qual a ação começou e ainda não terminou.
Exemplo A: estou telefonando. Vou comendo aos poucos. (Iniciei a ação e não terminei de executá-la). Temos aí locuções verbais (dois verbos)
Exemplo B: usado em Orações Reduzidas. Há muita gente passando fome por aí. (Há muita gente que passa fome por aí).
Exemplo C: o Gerúndio como Adjetivo (Pele ardendo, água fervendo)
Exemplo D: também usado como Advérbio de Modo. Ele correu tremendo, as árvores pendem rangendo.
Exemplo E: o Gerúndio antecedido da preposição em.
Em se falando deste assunto é melhor calar-se.
Isto tudo só para ficarmos em cinco exemplos.
Assim sendo, recomendo que usemos o Gerúndio com precaução, pois seu uso contínuo demonstra pouca importância para com a última flor do Lácio. Evite, pois. Abraços.
Álvaro Girotto - professor - RG 8.89294-4