O Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves recebe hoje duas apresentações - às 10h e às 20h - da peça “O Primo Basílio”, da Cia. Realce.
O texto do clássico de Eça de Queiroz foi adaptado por Augusto Valente com bastante fidelidade à história original da obra de 1878. A direção de Rick Von Dentz também segue esse propósito e procura inserir o espectador no ambiente do século 19 através do figurino, linguagem e cenário, entre outros elementos.
“Eu mantive inclusive a questão da linguagem. A forma de falar deles não é a mesma que a nossa de hoje. Nós apenas retiramos as palavras mais difíceis, que dificultariam a compreensão, mas procuramos manter ao máximo para ficar com a cara de espetáculo de época mesmo”, explica o diretor Von Dentz, em entrevista concedida por telefone ao JC Cultura.
A trama criada por Eça é uma crítica ao casamento e à burguesia já que o enredo envolve um adultério numa família considerada perfeita.
“É uma história atual, apesar de ter sido escrita há muito tempo. Esse romance entre primos acontece e envolve questões social e religiosa. A história prende a atenção dos espectadores. Não é um espetáculo chato. Pelo contrário. É gostoso de assistir”, frisa o diretor.
O elenco tem Rose Martins, Luís Fernando Segundo, Ivan Vilabela, Kleber Praieiro, Maria Teresa Cordeiro, Priscila Galan e Felipe Jorge.
O espetáculo é direcionado principalmente a estudantes já que Eça de Queiroz é um dos nomes mais significativos do romance realista português e pelo fato da obra ser bastante explorada em vestibulares.
A peça estreou em 2003, em São Paulo, e já passou por várias cidades do Interior, entre elas Marília, Botucatu, Assis e Jaú.
• Serviço
Peça “O Primo Basílio” será apresentada hoje, às 10h e às 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves. Os ingressos custam R$ 20,00 (grupo com no mínimo 20 alunos paga R$ 8,00 por pessoa). Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1072.
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A obra
Publicado em 1878, o romance “O Primo Basílio”, de Eça de Queiroz, é uma análise sobre o casamento e uma crítica ao comportamento da família burguesa urbana. Bastante influenciado por Madame Bovary, de Gustave Flaubert, o autor tem na personagem Emma Bovary o modelo para a construção de Luísa, personagem frágil, sonhadora e romântica de sua obra.
O autor enfoca um lar aparentemente feliz e perfeito, mas com bases falsas. Na trama, Luísa é casada com o engenheiro Jorge, apesar de não amá-lo. Ele viaja e deixa a esposa em Lisboa, sozinha e entediada.
Tudo muda a partir do dia em que ela recebe a visita de seu primo Basílio, antigo namorado e recém-chegado do Brasil. Eles tornam-se amantes em pouco tempo. Quando a empregada Juliana descobre o relacionamento, passa a fazer chantagens, ameaçando contar o segredo a Jorge. A partir de então a história toma um rumo inesperado.