08 de julho de 2026
Politicando

Vou embora...


| Tempo de leitura: 2 min

Júlio Rocha Filho, funcionário da antiga Coletoria Federal de Avaí, também foi vereador, presidente da Câmara e prefeito daquela cidade nas décadas de 40 e 50. Nesse período, como todo político, tanto ganhou como também perdeu, mas nada disso tirava a sua calma habitual.

Naqueles tempos, muitas eleições eram disputadas no grito, no tapa e alguns políticos e auxiliares faziam questão de exibir suas armas na cintura, sendo a pistola conhecida como “Parabello”, a arma mais apresentada pelos ricos fazendeiros. Eu era criança e me lembro que tinha medo da cidade em dia de eleições.

Num dia daqueles de ferrenha disputa eleitoral, Julinho, como era chamado, almoçava tranqüilamente em sua casa quando foi encontrado pelos seus correligionários, que não acreditavam naquela calma toda:

- Julinho do céu, sua sorte está em jogo, você é o nosso candidato a prefeito. Político hoje não dorme, não come... Mas Julinho os repreendeu, educado e calmamente: - Quem veio a Avaí para votar em Júlio Rocha, vai votar em Júlio Rocha. Quem veio votar no meu adversário, vota no meu adversário. Naquela eleição, o resultado das urnas não lhe foi favorável e então, decepcionado, Julinho disse para a sua esposa Tunica: - Vou embora.

- Mas para onde? perguntou-lhe a esposa aflita.

- Para o meu sítio.

Chegando ele no sítio, embora tranqüilo, não quis muita conversa com ninguém, nem com o Floriano que era seu tio e sócio. Então emprestou algumas tralhas e foi pescar no rio Batalha, que passava nos fundos daquela propriedade. Julinho ficou um dia inteiro na beira do rio, aceitou almoço feito pelo tio Floriano, mas até à tarde daquele dia ainda não tinha fisgado um lambari sequer, pelo que decepcionado outra vez, disse para o outro: - Vou embora.

- Para onde, perguntou Floriano.

- Para Avaí, respondeu Julinho...

Contada por Eurico de Oliveira, de Avaí