Tamanho não é documento. Esse é um dos princípios que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem pregando nos últimos anos com o objetivo de desmistificar a idéia de que a instituição só existe para abrigar grandes investidores. E o processo de popularização já conta com resultados positivos. Prova disso é que, nos últimos dois anos, o número de pessoas físicas que passaram a operar no órgão triplicou, passando de 12 mil, em janeiro de 2003, para 38 mil em março deste ano.
Os reflexos deste “boom” também foram sentidos no volume de negócios da Bovespa, que “explodiu”. Enquanto há dois anos a instituição registrava operações de cerca de R$ 635 milhões com as pessoas físicas, no primeiro trimestre de 2005 as mesmas movimentações financeiras atingiram R$ 4 bilhões.
Para o corretor Márcio Martins Cardoso, um dos proprietários de uma corretora paulistana que atua na Bovespa, a instituição tem interesse em aumentar a quantidade de acionistas, principalmente físicos, para atrair novos investimentos. “Há dois anos, as pessoas físicas representavam cerca de 9% dos investidores na Bolsa. Atualmente, esse número já chega aos 26%, pois a Bolsa tem interesse em democratizar o capital das empresas. Isso porque quanto maior o número delas ofertadas no mercado, maior a liquidez, o risco se dilui e mais dinheiro interno e do exterior vem ao País atrás desse tipo de investimento”, considera.
Já Amerson Magalhães, da mesma corretora, acredita que o processo de democratização do mercado feito pela Bovespa foi estimulado por dois instrumentos: os clubes de investimentos e as operações via Internet. “Pela Internet, o investidor com pouco recurso, com apenas R$ 500,00 mensais por exemplo, tem acesso à Bolsa e pode fazer suas operações baseando-se em todas as informações possíveis, pois todas as análises e recomendações ele obtém pela Internet no site das corretoras”, explica.
O corretor Ricardo Sampaio Corrêa Filho, que também integra a corretora paulistana, sustenta que a popularização da Bolsa abre a possibilidade de investidores de qualquer porte participarem e obter ganhos em projetos produtivos consistentes. “Eles poderão desfrutar do lucro, além de acompanhar e colher os resultados, do crescimento de uma indústria, fábrica ou prestadora de serviços”, enfatiza.
Mas a popularização da Bolsa passa até mesmo pelos bancos, que começam a apostar, timidamente, nos pequenos e médios acionistas. “Eles não priorizam os investimentos em bolsas porque têm produtos mais rentáveis, como os fundos de renda fixa e os títulos de capitalização. Mas hoje, alguns estão entrando nesse mercado e criando salas de ações nas agências. Só que ainda não é algo tão focado, mas a julgar pelo crescimento dos investidores na Bolsa, acredito que há muito potencial para esse segmento”, analisa Amerson.
Bom negócios
Um pequeno investidor bauruense, que pediu para não ser identificado, resolveu arriscar ao comprar ações da Companhia Vale do Rio Doce e não se arrependeu da escolha. Há cerca de três anos, ele aplicou pouco mais de R$ 3.500,00 para adquirir ações da mineradora e, no período, obteve um enorme rendimento. “Atualmente, tenho cerca de R$ 19 mil, um crescimento de 490% em relação ao investimento inicial”, comemora. E acrescenta: “Sinceramente, não esperava que teria esse índice.”
Outro que também não tem motivos para reclamar da opção por investir na Bolsa é o professor e comerciante bauruense Jair Wagner de Souza Manfrinato. Ele iniciou sua “carreira” como acionista, há cerca de quatro anos, operando com uma carteira de ações composta por empresas de vários setores e, atualmente, já contabiliza os bons resultados. “Obtive, em média, entre 35% a 40% de rendimento anual. E isso já descontado o Imposto de Renda”, destaca.
Manfrinato argumenta que, mesmo sendo um mercado de risco, a Bolsa pode ser vantajosa. “Desde que se faça uma análise criteriosa a fim de adquirir ações de empresas sólidas e se trabalhe a médio e longo prazos, os riscos podem ser minimizados”, pondera. E complementa: “Só que para isso é fundamental manter-se informado através de sites e da mídia. Desta forma, é possível obter rendimentos muito maiores do que os conseguidos a curto prazo na taxa básica de juros da economia nacional.”