Pelo menos oito gatos foram encontrados mortos nesta semana no Bosque da Comunidade Jardim Dona Sarah. Exame necroscópico indica que os animais foram espancados ou caíram em uma armadilha. A polícia investiga o caso e o autor, se for identificado, pode ser punido com multa ou até prisão.
A denúncia foi feita por vizinhos e usuários do bosque. A empresária Dinéia Rasi Baptista lembra que a presença dos gatos no bosque vem gerando polêmica desde o ano passado. Ela conta que sempre houve gatos no bosque e sempre houve quem os alimentasse. Mas um aumento da população felina, no segundo semestre do ano passado incomodou alguns vizinhos, que passaram a reclamar da situação.
“Como muita gente gosta dos gatos, começamos a cuidar deles. Entramos em contato com a Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) e começamos a levar os gatos ao veterinário. Eles foram vermifugados e as fêmeas castradas. Desde então, algumas pessoas se revezam cuidando deles e levando ração”, comenta.
“Claro que o bosque não é gatil. Começamos a buscar pessoas para adotar esses gatos, mas a população deles só aumentava. De uns tempos para cá, começou a correr o boato de que algumas pessoas estavam ameaçando matar os bichinhos. Procuramos a polícia e registramos um boletim de ocorrência de preservação de direitos, para garantir o bem-estar deles”, acrescenta.
Mas isso não adiantou e os animais começaram a aparecer mortos: seis no último final de semana e dois ontem pela manhã.
Procurado pela reportagem no começo da noite de ontem, o médico veterinário José Bezerra da Silva Filho informou que os três animais submetidos ao exame necroscópico morreram por esmagamento. Ele suspeita que os gatos tenham caído em uma armadilha.
“Uma daquelas em que o animal, ao entrar, aciona um dispositivo e cai alguma coisa em cima dele, porque os três gatos tinham as costelas fraturadas, fígado e pulmões esmagados, sem nenhuma lesão externa e com o pulmão vazio. Então, acho que é uma armadilha. Ou então, alguém prensa esses animais no chão e fica segurando até eles morrerem.”
Segundo o veterinário, os animais tinham aspecto saudável, estavam bem cuidados e sem qualquer vestígio de doenças.
De posse dos laudos, usuários do bosque estão registrando boletins de ocorrência. O delegado Elias Evangelista Bueno, do 3.º Distrito Policial, informa que dois registros já foram feitos.
O caso foi encaminhado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru. De acordo com o delegado J. J. Cardia, a matança será investigada. “Se o autor (ou autores) das mortes for descoberto, ele pode ser indiciado por crueldade contra animais, artigo 64 da Lei de Contravenções Penais, que prevê multa a ser estipulada pelo juiz ou prisão de dez a 30 dias”, informa.
Insegurança
A empresária Dinéia Baptista mostra-se preocupada com a segurança do local. “E se começarem a colocar veneno num lugar que é cheio de crianças?”, questiona.
De acordo com outra vizinha do bosque, a empresária Sandra Regina Ariede, além de vermifugar e castrar os animais, usuários do bosque levam ração aos gatos três vezes ao dia. São cerca de 150 quilos por mês. “Justamente para evitar que eles saiam pelas casas vizinhas em busca de comida”, salienta. Ela lembra que os felinos são naturalmente higiênicos, que enterram as próprias fezes e a urina.