08 de julho de 2026
Bairros

Tranqüilidade marca o extremo norte

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Há seis anos, o motorista aposentado José Ferreira Lima, 67 anos, e sua esposa, a dona de casa Clarice Aparecida Lima, 74 anos, chegaram a Bauru vindos de São Paulo com o objetivo de se instalar na cidade e fazer companhia ao filho que acabara de se formar. Apesar de acostumado à agitação da cidade grande, o motorista resumiu numa frase o que o fez fixar moradia no Residencial Nova Bauru, no extremo norte da cidade: “Gostei do local”.

E o principal motivo apontado pelo casal foi o clima de tranqüilidade que se tornou uma característica do núcleo habitacional entregue em 1999, dotado de asfalto e escola. Nem mesmo a proximidade com bairros marcados por altos índices de criminalidade, como Pousada da Esperança e Vila São Paulo, preocupa o casal de aposentados. “Criminalidade aqui é coisa rara e os moradores deixam suas crianças brincar na rua”, atesta o aposentado. “Pessoas de idade gostam de sossego”, completa a dona de casa.

O local foi considerado tão aprazível pelos Lima que a família já adquiriu três casas em seqüência, em cujos muros foram abertas passagens que ligam os imóveis. Na casa do meio ficam os aposentados; em um dos lados mora uma filha do casal e um neto; e, do outro, um irmão do motorista, que ainda reside na Capital, mas faz do imóvel uma espécie de “casa de veraneio”.

Lima só aponta como deficiência do bairro a falta de um posto de saúde e um posto policial e da ausência de facilidades só encontradas em bairros mais centrais, como farmácia e lotérica. Ele até ameaça reclamar da distância em relação ao Centro, pede mais horários de ônibus, mas reconhece que, como é aposentado e não paga passagem, costuma fazer o trajeto todos os dias, até para fazer serviços bancários para os vizinhos.

O segurança Dirceu Alves de Moraes, 48 anos, surpreendeu-se ao ser informado que sua casa estava no ponto mais ao norte de Bauru e admitiu que o “bairro é bom”. Morador no Residencial Nova Bauru há cinco anos, junto com a mulher e o filho, Moraes reclama da distância e de supostas deficiências no transporte público, principalmente porque trabalha à noite.

Ele também lamenta ter de recorrer a bairros vizinhos para compra de mantimentos e remédios. “Aqui só tem mercearia e bares, e precisamos de supermercado maior”, diz. Mas o principal problema do núcleo, na sua avaliação, é o acúmulo de lixo nas ruas. “A coleta é uma bênção (três vezes por semana), mas o problema é a sujeira que os próprios moradores jogam nas ruas”, diz.

Mas todos estes percalços são compensados pelo clima de sossego e a bela visão que se abre a partir de seu portão, de onde é possível avistar um grande pasto com várias cabeças de gado. O limite entre a cidade e o campo é demarcado por uma cerca de arame farpado erguida logo após o asfalto da rua onde mora o segurança. “Às vezes eu até passo pela cerca para pegar esterco que uso como adubo numa pequena horta que tenho no quintal”, comenta.