11 de julho de 2026
Regional

Usina de Potunduva é a única a transportar cana por via fluvial

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

A usina Diamante, localizada no distrito de Potunduva, em Jaú, é a única da região a transportar cana por via fluvial. A matéria-prima é recolhida em Iacanga e levada em barcaças até a unidade no município de Jaú. São transportados pelo rio Tietê 45% das 10,5 mil toneladas processadas pela usina diariamente. Cada barcaça carrega 400 toneladas de cana.

De acordo com o gerente industrial regional do grupo Cosan, André Luís de Oliveira Cunha, o crescimento da produção da usina ocorreu a partir da utilização desse meio de transporte. “Por via fluvial, nós temos uma redução de custo”, destaca.

Cunha lembra que a região de Jaú e Lençóis não apresenta hoje grandes alternativas de áreas produtivas de cana. Por isso, hoje, a matéria-prima está sendo trazida de outras áreas. “Para ser viável para as usinas, é preciso ter cana num raio médio de até 25 a 30 quilômetros”, diz.

Na região, Cunha afirma que não existem problemas para o escoamento de álcool e açúcar. Entretanto, lamenta o fato do transporte ferroviário não ser explorado para essa finalidade. Grande parte dos produtos fabricados pelas usinas da região de Jaú segue para exportação no Porto de Santos.

Necessidade futura

De acordo Edson José Ustulin, presidente do Sindicato Rural de Barra Bonita e da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, atualmente o Estado de São Paulo possui infra-estrutura para escoar a produção das usinas.

“Mas com a expansão do setor, principalmente na área de exportação, nós precisaremos melhorar as vias de colocação de produtos nos portos. E isso pode ser feito através da ampliação das ferrovias, melhoria das rodovias, e utilização das hidrovias. É preciso diminuir os custos para exportação e agilizar o embarque desses produtos”, destaca.

O governo federal acredita que a infra-estrutura ainda não é um fator impeditivo para o setor. A Petrobras, segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, está investindo na implantação de uma logística exclusiva para movimentação e embarques de álcool, através da qual dutos deverão sair do Interior de São Paulo e se conectarem a um terminal marítimo da empresa, na baia da Guanabara.

O governo admite, entretanto, que a medida que a produção se desloca para o Oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro e Região Centro-Oeste, os custos de transporte começam a pesar mais nas transações e representa um desafio para o futuro.