08 de julho de 2026
Regional

Usinas da região funcionam 24 horas

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Embaladas pelo ritmo de produção no período da safra, as usinas da região não descansam. Nas 24 horas do dia, toneladas e toneladas de cana são processadas para fabricar açúcar e álcool. O frenesi, que começou em abril e segue até dezembro – quando termina a safra - , só é interrompido em caso de chuva ou quebra de equipamentos.

Volátil

O setor sucroalcooleiro saiu de uma crise na safra de 1999/2000 e começou a vivenciar um processo de expansão da produção nos anos posteriores.

A safra de 2000/2001 no País foi pouco superior a 255 milhões de toneladas de cana. A previsão para a safra de 2005/2006 é de 410 milhões de toneladas.

De acordo com José Nilton de Souza Vieira, assessor do Departamento da Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, apesar do crescimento do setor, o mercado sucroalcooleiro é considerado volátil. Um dos problemas é a flutuação sazonal dos preços, especialmente do álcool combustível.

Os preços do álcool tendem a cair fortemente durante o início da safra, porque as usinas precisam de capital de giro para começarem o processo produtivo. Com isso, se desfazem dos estoques remanescentes da safra anterior.

Também as unidades que chegam ao início da safra sem estoques direcionam toda a produção nova para o mercado. Há uma oferta excessiva do produto e os preços caem.

“No início de safra, as usinas têm compromissos, têm de pagar fornecedor, então vendem o produto. Normalmente em todo o início de safra o preço cai e depois tende a subir”, diz o usineiro de Bariri José Roberto Della Coletta.

Somando as usinas das regiões de Jaú e Lençóis Paulista, a expectativa, em 2005, é de que a produção atinja 21 milhões de toneladas de cana – um incremento próximo a 5% em relação à safra anterior.

Na região de Jaú, o grupo Cosan, que conta com usinas em Barra Bonita, Potunduva (distrito de Jaú) e Dois Córregos, será responsável pelo processamento de 10,5 milhões de toneladas de cana.

A usina de Barra Bonita está entre as três maiores do mundo em volume de moagem de cana, de acordo com o gerente industrial regional do grupo, André Luís de Oliveira Cunha.

A unidade produz vários tipos de açúcar, como o cristal, refinado - vendido no mercado interno - e o refinado granulado, para exportação.

Cerca de 70% da produção das usinas da Cosan na região está voltada para a fabricação de açúcar. Entretanto, o gerente industrial regional não descarta a possibilidade da produção de álcool aumentar nos próximos anos. “Tudo vai depender do mercado. Se o mercado do álcool melhorar muito, com certeza a gente utilizará um pouco mais dessa cana para fazer álcool”, diz o gerente, destacando que em relação à safra anterior a produção de álcool nas usinas do grupo deve aumentar de 10% a 15%.

Juntas, as usinas de Barra Bonita, Potunduva e Dois Córregos, devem produzir nesta safra 380 milhões de litros de álcool. Em relação à produção de açúcar, serão 17 milhões de sacas de 50 quilos, sendo que destas, 11 milhões serão exportadas.

Bariri

Com produção mais tímida, a usina de Bariri, a Della Coletta, deve processar cerca de 1 milhão de toneladas de cana neste ano – o que representa um aumento de 15,8% na produção em relação à safra anterior. Metade da matéria-prima será utilizada para a produção de álcool.

A unidade experimentou crescimento nos últimos anos, depois que iniciou produção de açúcar e deixou de atuar somente como destilaria.

“O mercado está trazendo oportunidades. Fizemos ampliação na indústria, adquirimos equipamentos e temos que usar essa capacidade instalada”, diz José Roberto Della Coletta, destacando que sua unidade processa em média 4,3 mil toneladas de cana-de-açúcar por dia.