08 de julho de 2026
Geral

Deinter lança Caminho de Volta na 4ª

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O Projeto Caminho de Volta, implantado para elucidar casos de crianças e adolescentes desaparecidos por meio de pesquisas de DNA armazenados em banco de dados, será lançado em Bauru na quarta-feira, às 20h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A iniciativa foi viabilizada através de uma parceria da Polícia Civil com a Universidade de São Paulo (USP).

Em Bauru, o projeto conta com a participação do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-Interior (Deinter 4) e do biólogo e geneticista Esiquiel de Miranda, professor da USP. A estrutura para colocar o projeto em funcionamento foi montada na sede do Deinter 4, no Jardim Bela Vista.

A cerimônia de lançamento contará com a participação da professora Gilka Jorge Fígaro Gattas, da Faculdade de Medicina da USP/SP, coordenadora do projeto. Num primeiro momento, estarão disponíveis 50 kits para as operações de abrangência do Deinter 4.

Segundo o professor Esiquiel de Miranda, estão armazenados em São Paulo dados de DNA de 106 pessoas que tiveram crianças e adolescentes desaparecidos, dentre os quais, do pintor Reinaldo Antonio Cardoso e da dona de casa Leandra Maria Dias Cardoso, pais do garoto Josiel Dias Cardoso, que desapareceu em 2003, no município de Brasília Paulista.

“Sou um colaborador. Minha função será coletar o material e enviá-lo para o banco de dados em São Paulo”, diz Miranda. Ele adianta que a manutenção do projeto em Bauru terá que contar com parcerias para a aquisição dos futuros kits de coletas.

Para o titular do Deinter 4, Orlando Miranda Ferreira, o projeto vai atender a população mais carente. “O teste de DNA é caríssimo. Quando tivemos a visita do doutor Esiquiel propondo o convênio, o recebemos de braços abertos”, conta.

Ele explica que a partir da notícia do desaparecimento da criança ou do adolescente, a Polícia Civil comparece para registrar o fato. “A partir daí, acionaremos a USP e deslocaremos para a casa dos pais uma equipe composta por delegado, escrivão, investigador, assistente social e um psicólogo. O material genético dos pais será recolhido pelo perito da USP”.

As informações genéticas permanecerão no banco de dados para o confrontamento futuro do DNA de crianças e adolescentes localizados, desaparecidos no passado.

Na avaliação do titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, que ocupa interinamente o comando da Delegacia Seccional de Bauru, o serviço será de grande utilidade para a elucidação dos casos de desaparecimento de crianças e adolescentes.

“Esse tipo de investigação é muito difícil. Não podemos parar. É preciso trabalhar no aspecto científico e operacional, que é o policial. No caso do Josiel, continuamos as investigações, que são demoradas”, ressalta.

Cardia destaca que a Polícia Civil procura se modernizar para oferecer instrumentos de trabalho de alta tecnologia a seus profissionais. “Sempre estamos solicitando a colaboração de cientistas”.