08 de julho de 2026
Politicando

Caio desiste de 2006 e ataca prefeito

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Gilmar Dias

O presidente da executiva municipal do PSDB, Caio Coube, decidiu deixar de lado sua conhecida polidez política para engatilhar duas importantes decisões sobre seu futuro no PSDB. O tucano, em reunião realizada ontem com dirigentes e militantes do PSDB, ainda encontrou disposição para fazer duras críticas à gestão do prefeito Tuga Angerami (PDT), que na sua avaliação está com DNA marcado pela falta de ritmo e intensidade.

Depois de muitas especulações nos bastidores, o empresário pediu a vez para movimentar o dinâmico tabuleiro político da cidade. No seu lance, ele foi claro: “Não vou disputar as eleições do ano que vem”, anunciou em alto e bom som.

Desde que saiu derrotado das eleições municipais de outubro do ano passado, o nome de Caio tem sido lembrado para uma virtual disputa à Câmara dos Deputados ou à Assembléia Legislativa, no caso de o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) ser convocado para tentar vaga no Congresso Nacional.

Também está implícita no discurso político do empresário sua disposição de concorrer novamente às eleições para prefeito, que serão realizadas em 2008. “Nos próximos três anos, a política não terá a mesma intensidade na minha agenda, no meu dia-a-dia”, revela. Bastar somar três a 2005 para chegar ao resultado de 2008, ano em que, pela lógica, o tucano vai acelerar novamente seu projeto político.

Para justificar sua decisão de não disputar as eleições do ano que vem, Caio argumenta que o legislativo não lhe cabe como perfil político. “Tenho formação de administrador de empresas e experiências como dirigente empresarial. Conseqüentemente, a contribuição que eu poderia dar ao processo político seria no Poder Executivo, esfera com a qual sinto uma identidade maior”, observa.

A declaração reforça claramente as pretensões políticas do empresário. “Entendo que nós precisamos fazer a ruptura com o ciclo de administração que teria um viés político muito acentuado. Bauru precisa ter a frente do seu Poder Executivo, na minha concepção, alguém que tenha experiência maior em gestão. A cidade precisa de um choque de liderança”, afirma.

Embora tenha decidido que está fora das eleições de 2006, Caio garante que vai se engajar na campanha dos candidatos do PSDB. â€œÉ o momento de sair do palco e trabalhar nos bastidores. Sei que receberei pressões do partido e da própria comunidade. Mas vou resistir”.

O empresário entende que a definição de uma candidatura é muito pessoal. â€œÉ lógico que ninguém é candidato de si próprio. É preciso ter apoio do partido e da sociedade. E mais: a pessoa precisa querer, ter gana, vontade, precisa estar comprometida com a idéia de disputar a eleição”, analisa.

Ao fazer uma retrospectiva dos últimos três anos, Caio entende que esteve “muito comprometido” com o mundo político. “Eu realmente coloquei (a política) como prioridade total, uma meta pessoal, um objetivo a ser atingido. Procurei me aprofundar nos temas, esbocei alternativas durante a campanha”, lembra.

A notícia de que Caio Coube está fora da disputa das eleições do ano que vem já repercute no PSDB. O deputado estadual Pedro Tobias, logo após tomar conhecimento do anúncio do tucano, afirmou que vai tentar demover o empresário da decisão, que no seu entendimento é precipitada.

â€œÉ cedo para tomar essa decisão. Vou tentar convencê-lo a disputar a Câmara dos Deputados até o último dia permitido para o registro de candidaturas. Mas também sei que é uma decisão de foro íntimo. Mas vamos conversar”, diz.

Tobias adianta que deverá mesmo disputar a reeleição à Assembléia Legislativa, mas não descarta uma convocação de Geraldo Alckmin para tentar a Câmara dos Deputados se o governador decidir encarar a Presidência da República.

Confirmada a desistência do empresário, um dos nomes que ganha força no PSDB para preencher a lacuna da candidatura é o do vereador Marcelo Borges. Há também especulações de que Pedro Tobias poderia dobrar com o ex-deputado estadual Carlos Braga (PP).

Para tucano, faltam ritmo e criatividade ao governo

A administração do prefeito Tuga Angerami (PDT) também foi alvo de críticas do presidente da executiva municipal do PSDB, Caio Coube. “Essa administração já tem um DNA”, concluiu ao comentar os primeiros 120 dias do governo municipal. “A população de Bauru não precisa de lentidão e morosidade”, emenda.

O tucano, porém, avalia que não se pode esperar grandes mudanças num curto espaço de tempo. “Seja nas organizações privadas ou instituições públicas, o estilo de liderança da figura principal acaba dando o tom”, comenta.

Na opinião dele, o governo municipal não é empreendedor e prioriza o analítico. â€œÉ muito tempo dispendido em diagnósticos e pouco tempo dispendido para a ação. Percebo uma falta de compromisso com a intensidade. Falta ritmo, vontade de enfrentar os problemas. Falta também criatividade”.

Sem citar números, o tucano avalia que o Poder Executivo enviou poucos projetos de lei à Câmara Municipal. “Gostaria que houvesse mais capacidade de fazer as coisas acontecerem ou de explicar o porque elas não acontecem. É preciso tirar o “s” da crise. É preciso criar”, observa.

Ele também critica o que chama de “terceirização de decisões”. “O excesso de comissões para analisar temas significa um processo de terceirização de decisões. A decisão é sempre um ônus. É a essência de um cargo de liderança”.

Consultado pelos comentários feitos pelo empresário, o prefeito Tuga Angerami demonstrou indiferença e respondeu: “Ah, é ...”