08 de julho de 2026
Saúde

Campanha começa na sala de aula

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Preocupados com o alto índice de crianças vítimas de queimaduras, profissionais do Hospital Estadual (HE) de Bauru decidiram fazer uma campanha que pudesse, ao mesmo tempo, orientar as crianças e mobilizar os pais. A equipe acaba de firmar uma parceria com o projeto JC na Escola e vai iniciar os trabalhos de prevenção dentro das salas de aula.

Para atingir as crianças, a equipe elaborou uma cartilha que mostra situações de perigo e indica brincadeiras mais interessantes e saudáveis.

O personagem central é Ken. “Ele foi inspirado em um paciente que ficou 124 dias internado conosco. Ele se queimou brincando com fósforos dentro de um guarda-roupa”, conta a coordenadora da Unidade de Tratamento de Queimaduras do HE, a cirurgiã-plástica Cristiane Rocha.

“Tudo foi feito por profissionais do hospital. A psicóloga Juliana Ferro Machado nos orientou sobre como sinalizar o comportamento errado e salientar o certo e as ilustrações foram feitas pela oficial administrativa Aline Jandreice”, acrescenta a publicitária Andrea Figueiredo, coordenadora de eventos do hospital.

“A parceria com o JC na Escola vai nos levar para dentro da sala de aula. Já fizemos palestras para os professores e agora vamos começar as palestras para as crianças de 1.ª a 4.ª séries”, explica Rocha.

Segundo ela, os desenhos são quase todos em preto e branco. “Nossa intenção é que as crianças levem a cartilha para colorir em casa e, dessa forma, as informações cheguem também aos pais”, observa a cirurgiã-plástica. “Nessa idade, as crianças costumam dar bronca nos pais quando eles adotam atitudes erradas e é isso o que queremos”, acrescenta a publicitária.

A idéia da equipe é tornar a campanha fixa, repetindo-a todos os anos no início do outono/ inverno. “Sabemos que não teremos um grande resultado de imediato. A maioria dos acidentes ocorre por atitudes habituais. A prevenção exige mudança cultural e isso leva anos”, admite Rocha.

Ela explica que a decisão de fazer uma campanha voltada às crianças tem duas razões principais. A primeira é o grande sofrimento das crianças vítimas de queimadura. “Elas sofrem com o tratamento, com o banho, que dói muito. Mas tão logo são medicadas e enfaixadas, elas querem brincar. E ver uma criança toda enfaixada comove qualquer pessoa”, afirma a médica.

O segundo motivo é a esperança de mudar hábitos culturais. “Pode ser que nada mude hoje, mas daqui a 10-15 anos, essas crianças vão ser pais e mães. Se elas prevenirem queimaduras nos próprios filhos, já teremos conseguido uma grande vitória”, salienta.

“Meu sonho é, um dia, poder fechar a unidade de queimados. Não tem problema perder o emprego. Sei que posso trabalhar em outras áreas da cirurgia plástica. Mas nem sempre posso reverter as deformidades causadas por uma queimadura grave”, completa.

• Serviço

Escolas interessadas em aderir à campanha e empresas interessadas em patrocinar a confecção das cartilhas podem entrar em contato com Andrea Figueiredo pelo telefone (14) 3103-7777, ramal 3293.