09 de julho de 2026
Saúde

Extração do ciso deve ser avaliada na adolescência

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O número de pessoas que recebe indicação para extrair o terceiro molar (dente do ciso) é cada vez maior. De acordo com o cirurgião-dentista Osny Ferreira Júnior, isso ocorre porque a evolução da espécie humana está causando um encurtamento da mandíbula. A falta de espaço para o último molar pode trazer problemas. Por isso, recomenda-se uma avaliação deste dente por radiografia ainda na adolescência.

“Quando o ciso não ocupa uma posição adequada, está deitado, não consegue irromper completamente por falta de espaço ou está tão escondido que dificulta a correta higienização, recomenda-se extraí-lo para evitar complicações”, explica ele, que é professor do Departamento de Estomatologia-Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP).

O dente do ciso sempre esteve cercado de mitos. Antigamente, dizia-se, por exemplo, que o ciso era um dente fraco, cariava com mais facilidade e, por isso, precisava ser extraído. Ferreira Júnior diz que não é bem assim.

“O terceiro molar tem a mesma composição dos outros dentes. O que acontece é que logo que irrompe (nasce), o esmalte ainda não está totalmente amadurecido e é assim com todos os dentes. O problema é que o terceiro molar, muitas vezes, está em posição desfavorável, a pessoa não consegue escová-lo bem e essas duas coisas juntas aumentam o risco de cárie”, esclarece.

Outra situação comum, segundo ele, é quando não há espaço suficiente e o terceiro molar fica parcialmente encoberto pela gengiva. “Essa gengiva é solta e retém resíduos de alimentos que a pessoa não consegue limpar. Isso causa uma inflamação chamada pericoronarite, que dói muito. Isso também é indicação para extração”, afirma.

Outro mito contestado pelo especialista é o de que o ciso, quando está mau posicionado, empurra os outros dentes, podendo causar apinhamento e exigir o uso de aparelhos ortodônticos. Ele garante que nenhum estudo confirma isso e que o molar, sozinho, não teria força para empurrar todos os outros dentes.

“O que ocorre é que a mandíbula cresce em fases. Ela cresce, pára, cresce, pára. E o último surto de crescimento ocorre também por volta dos 18 anos. Se nesse crescimento as arcadas superior e inferior se encontrarem, os dentes começam a bater e os de baixo forçam os de cima para a frente. Os dentes ficam tortos”, descreve.

Outra indicação para extração é quando o paciente está em tratamento ortodôngico. “O ortodontista vai precisar de espaço para movimentar os dentes que precisam de correção e é comum ele pedir a extração do terceiro molar com esse objetivo”, comenta.

Também há casos em que o terceiro molar está deitado, com a coroa voltada para a raiz do segundo molar. Nesse caso, pode ocorre um desgaste (chamado reabsorção) do osso que sustenta o dente vizinho. Essa pressão, a médio prazo, pode danificar até mesmo a raiz do segundo molar. A orientação, então, é extrair o ciso o mais rápido possível.

“O ideal é que todas as pessoas façam uma radiografia panorâmica por volta dos 16 anos. Nessa idade, o profissional já tem condições de avaliar se o terceiro molar vai ou não ter problemas. Muitas vezes, opta-se pela extração antes mesmo dele irromper”, informa.

Segundo Ferreira Júnior, a melhor idade para se extrair o dente do ciso é dos 16 aos 22 anos. “Ele pode ser extraído em qualquer idade, mas quanto mais cedo, menores os danos”, acrescenta.