10 de julho de 2026
Geral

Força Aérea Brasileira faz treino de guerra em Bauru

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Os céus de Bauru servirão durante dez dias como pano de fundo para simulações de operações de guerra a serem realizadas por militares da Força Aérea Brasileira (FAB). A partir de hoje até o próximo dia 19, cerca de 70 militares do 1.º Esquadrão do 15.º Grupo de Aviação (GAv) da FAB, sediado em Campo Grande (MS), estarão em Bauru para treinamento de manobras com dois aviões C-95B Bandeirante.

Conhecido como “Esquadrão Onça” - numa referência à proximidade da base com o Pantanal matogrossense, cujo animal símbolo é a onça pintada -, o 15.º GAv trará a Bauru todo seu contingente de militares, que inclui pilotos, mecânicos de vôo, equipes de manutenção, pessoal de apoio em solo, soldados e cabos para o segundo treinamento do tipo neste ano.

No primeiro treinamento do ano, realizado recentemente na cidade de Presidente Prudente, o “Esquadrão Onça” realizou vôo de navegação a baixa altitude e lançamento de cargas em pontos pré-determinados na região.

Segundo o oficial de Comunicação do 15.º GAv, tenente-aviador Davi Augusto Pavelec, o principal objetivo da manobra em Bauru será o de treinar a mobilidade do esquadrão, que terá de sair de Campo Grande e operar em um local estranho (no caso, a região de Bauru), além de aprimorar os procedimentos para o que os militares chamam de vôo de formatura ou “vôo na ala”.

Pavelec explica que o vôo de formatura é uma modalidade especificamente militar, realizada por duas aeronaves que fazem manobras lado a lado, sincronizadamente, a baixa altitude (até 200 metros) e em velocidade máxima (de até 400 km/h). “São vôos perigosos, mas os militares estão treinados para realizá-los”, garante o militar.

Ao contrário do que aconteceu em Prudente, em Bauru não haverá lançamento de cargas, mas apenas a simulação deste procedimento, agora realizado por duas aeronaves. Pavelec explica que a vantagem de um vôo de formatura é que a capacidade de lançamento, seja de cargas ou pára-quedistas, acaba multiplicada com a presença de mais uma aeronave - ambas voam lado a lado, a baixa altitude, para escapar da detecção por radares.

Segundo o tenente-aviador, a operação tem início hoje a partir dos procedimento de partida desde a base de Campo Grande, mas as duas aeronaves Bandeirante só devem chegar à Bauru no final da tarde, segundo previsão do militar. Segundo Pavelec, toda a operação de treinamento durante os próximos dez dias partirá do Aeroclube de Bauru, com os militares ficando hospedados em hotéis da cidade nas horas de folga.

O C-95B Bandeirante é um turbo-hélice de dois motores de fabricação nacional (Embraer) considerado de médio porte (20 pessoas), mas cuja configuração interna pode ser modificada de acordo com sua utilização (transporte aerologístico ou de militares, lançamento de cargas ou pára-quedistas, entre outras).

Comando bauruense

Outra atração da operação é que o “Esquadrão Onça” conta no seu quadro de oficiais com a presença de dois bauruenses. Um deles - o tenente-coronel aviador Walter Augusto da Fonseca Júnior -, é o comandante do 15.º GAv.

O esquadrão foi criado em 1970 e entre suas principais missões destacam-se o transporte de cargas, como suprimentos e medicamentos para regiões mais distantes, inclusive no Exterior, apoio a destacamentos do Exército e Marinha e lançamento de pára-quedistas das Forças Armadas.

O “Esquadrão Onça”, cujo lema é “Lançar, suprir, resgatar, nossa sagrada missão”, detém o título de octacampeão da Reunião da Aviação de Transporte (RAT), torneio que reúne toda a aviação de transporte da FAB numa acirrada competição entre os tripulantes. Nenhuma outra unidade ganhou tantas vezes esse troféu.