09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Agora só resta pegar o paninho


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Sapeando sites neste domingo, Dia das Mães, vejo a notícia de que técnicos do Ministério da Saúde estão em Marabá, no Pará, para avaliar a falta de leitos de UTIs neonatais na cidade, o que pode ter contribuído para a morte de trigêmeos que não tiveram atendimento adequado. A mãe é uma menina de 16 anos, se não me falha a memória. Daí eu me pergunto: só agora, depois do leite derramado? Neste momento, só resta ao governo federal pegar o paninho para limpar o fogão. Alguém pode dizer que a medida servirá para salvar outras vidas. Concordo plenamente e entendo que a investigação é necessária. Mas volto a perguntar: por que no Brasil as coisas só andam quando ocorrem tragédias? Precisou morrer três brasileirinhos no Pará para que a tal equipe fosse para lá investigar o que está acontecendo. Aliás, a conclusão não deverá ser difícil. Enquanto os deputados federais ganham até ajuda para comprar terno de grife, a saúde no País agoniza na UTI. Basta citar o exemplo do Rio de Janeiro, capital rica, pólo turístico internacional, onde até hospitais de lona foram colocados nos gramados das praças para dar conta do atendimento da população. Sei que é simplista demais colocar a culpa no governo federal, no presidente Lula, blá, blá, blá... Neste momento, a questão não é esta. Neste momento precisamos é nos indignar. De que vai adiantar a investigação dos técnicos em Marabá? Por quanto eles vão ficar por lá? Até que as pessoas esqueçam e voltem a tocar sua vida, tranqüilamente, enquanto nossos deputados federais separam a ajuda de custo para comprar ternos caros? Precisamos nos indignar, mas não perder a esperança. Esperança que servirá para que ensinemos aos pequenos brasileirinhos vivos noções de valor humano, de caráter, de responsabilidade com o próximo... São esses os brasileirinhos que vão estar lá, no Palácio do Planalto, no Senado, na Câmara Federal, na Assembléia Legislativa, prefeituras e Câmara Municipais. E quem sabe um dia, conscientes de que cada um tem a obrigação de pagar pelo seu terno com o seu salário, não com o do povo que ganha salário mínimo, em sua maioria, essa absurda ajuda de custo não se transforme em verba para melhorar UTIs das Marabás do Brasil. (Jéssica Maria Rocha - estudante)