08 de julho de 2026
Geral

Psicóloga alerta para a educação responsável

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com a psicóloga especialista em sexualidade Maria Lúcia Bien, para uma criança crescer de maneira saudável emocionalmente, precisa das condições básicas de sobrevivência: alimentação, abrigo e amor.

Ela ressalta que vai depender de como o casal homossexual assume a responsabilidade na criação de uma criança. “O adotado pode ter a figura masculina em casa e este ser um péssimo modelo. Tudo é muito subjetivo. Temos que analisar caso a caso.”

Para a psicóloga, existem muitas famílias onde há a presença do pai e da mãe e, ainda assim, elas são desestruturadas. “A presença masculina ou feminina se faz não só dentro da casa. O avô, um tio ou um amigo pode fazer esse papel, assim como a presença feminina pode vir através de algum parente.”

Bien lembra que existe muita confusão nessa relação. “Os heterossexuais querem saber quem faz o papel de homem ou da mulher. Existem mulheres que são femininas, que se amam e querem viver juntas, fazendo o papel feminino. O mesmo pode ocorrer com dois homens.”

Ela frisa que podem surgir problemas quando um dos parceiros quer assumir o papel do sexo oposto. “Exemplo: na relação entre duas mulheres, se uma delas tiver trejeitos masculinos e assumir esse papel ficará complicado para essa criança entender. Ela vai ter uma figura masculinizada, mas que possui uma identidade feminina.”

No caso de uma relação entre dois homens, a possível figura afeminada que tem a identidade masculina também pode confundir. “Em ambos os casos, o acompanhamento psicológico pode ajudar a resolver a questão.”

Saber se uma criança educada por casal homossexual vai ter uma vida considerada pela sociedade heterossexual como normal ou não vai depender da personalidade de cada um. “Temos crianças adotadas que quando ficam sabendo que os pais não são verdadeiros, se revoltam. Outras, passam a amar o casal mais ainda.”

Bien questiona se não está na hora da sociedade começar reavaliar seus conceitos. “Como a escola tem que agir? Temos pessoas que sofrem de preconceito por serem negras, obesas e homossexuais. Na sexualidade, o preconceito é muito maior. A escola precisa saber como acolher uma criança. O importante é o respeito ao ser humano.”

Bien não fecha a questão quando o questionamento é se o melhor para a criança é viver num orfanato ou em um lar formado por pessoas do mesmo sexo. “Tudo vai depender de como vai ser esse lar homossexual. Se for um lar onde existem modelos de responsabilidade, educação, afetividade, amor e respeito, claro que vai ser melhor do que ela estar num orfanato.”