09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Empréstimo com desconto em folha de pagamento


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O governo tem atribuído parte do aquecimento da economia aos empréstimos efetuados pelos trabalhadores com desconto em folha de pagamento, o próprio presidente já citou isso em vários de seus pronunciamentos, destacando ter essa modalidade de crédito taxas de juros baratas.

Precisamos analisar o que significa juros baratos: no contexto do Brasil, realmente os juros praticaticados para o crédito consignado com desconto em folha de pagamento, chega a ser significativamente menor que os cobrados em outras modalidades, como cheque especial, cartão de crédito e financeiras em geral. Todavia isso não significa juros baratos, pois o trabalhador brasileiro, mesmo nesse tipo de empréstimo ainda paga por mês o que qualquer cidadão de primeiro mundo paga por ano.

Num primeiro momento, a classe trabalhadora foi aos bancos e levantou tudo o que podia: cerca de seis vezes os seus ganhos, autorizando para isso que se descontasse 30% (trinta por cento) de seu salário mensal. Com o dinheiro na mão, “zerou” suas dívidas, ou então utilizou para fazer aquela reforma da casa, a troca do carro, etc... Quando recebeu seu contracheque no mês seguinte, percebeu que seu salário líquido havia sido reduzido para quase metade do que recebia anteriormente, e por isso passou a ter dificuldades para conciliar as necessidades da família com o que efetivamente recebia então.

No primeiro problema que surgiu, uma doença por exemplo, foi obrigado a recorrer novamente ao cheque especial, cartão de crédito, ou às financeiras. Destino pior teve aquele trabalhador que foi demitido, pois o empréstimo teve que ser quitado, sendo descontado das verbas rescisórias a que tinha direito. Empregado e com dificuldades, ou desempregado e sem dinheiro, o trabalhador passou a entender que o governo tinha lhe dado um “presente de grego”.

Ao estender essa modalidade de crédito aos aposentados e pensionistas do INSS, a mesma disposição de tomar empréstimos se verificou entre os inativos, e com um agravante, muitas vezes o dinheiro foi utilizado para ajudar filhos e netos em dificuldades, levando esses aposentado a também destinar 30% (trinta por cento) de seus ganhos ao banco.

O que não se contava era que como na cultura brasileira está implícito que dinheiro emprestado dos pais não se paga, os verdadeiros beneficiados com esses empréstimos (filhos e netos no caso), “esqueceram-se” de ressarcir ao aposentado, gerando com isso, uma situação de penúria para vários deles. Não se está aqui dizendo que o governo tenha errado no remédio, na verdade não se previu foram os efeitos colaterais do mesmo.

Na impossibilidade de realmente melhorar os ganhos de todos (trabalhadores e inativos), e para compensar o desfalque da contribuição a Previdência que os aposentados tiveram que assumir, os “iluminados” dirigentes petistas acharam que oferecendo crédito farto iriam resolver o problema financeiro desse contingente da população. Como tudo que o atual governo faz visa dividendos eleitorais, acreditaram que isso também geraria. Ledo engano, o povo já está entendendo que o governo o colocou numa fria, e não irá se esquecer disso nas próximas eleições.

Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501