Depois de ser o artilheiro do time na Série A3 em 2002, que teve um final conturbado para o Noroeste, Roger viveu um inferno astral em sua carreira. Mas como futebol é a dança dos altos e baixos, o garotão deu a volta por cima, fazendo gols e ganhando dinheiro no Golfo Pérsico.
Roger Tompson Amaral Pereira, 25 anos, pertence a uma família de ‘boleiros’. Deivson, que subiu para a Série A2 com o São Bento de Sorocaba, é seu irmão, e o técnico Zé Rubens, do Ituano, seu pai. Todos eles foram jogadores do Noroeste.
Quando criança, Roger disputou campeonatos mirins, defendendo times como CSU e Greb, entre outros. Com 17 anos jogou no Verona, clube que disputa o campeonato amador, e depois no Araruna, campeão da Liga Regional em 1999. No mesmo ano o filho de Zé Rubens atuou também nos juniores do Noroeste, onde se profissionalizou em 2000.
Na Série A2 de 2002, Roger teria tudo para se consagrar, mas veio uma maré de azar. Ele fazia gols e o Norusca chegou a ficar cinco rodadas na liderança isolada, uma delas com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Oeste. Mas como o pagamento de salários atrasava e ninguém vive de brisa, o time passou somente a colher derrotas, e a má sorte continuou para o jovem matador.
Num jogo contra a Ferroviária, pela Copa Federação, Roger fraturou o braço e ficou todo o segundo semestre inativo. Em dezembro de 2002, um empresário adquiriu os direitos federativos de Roger e o emprestou à Portuguesa Santista. No entanto, o atacante fraturou o mesmo braço durante a pré-temporada, ficando três meses sem jogar.
As coisas começaram a melhorar para Roger quando ele foi emprestado ao Sertãozinho - a torcida o chamava de Roger-Gol - no início de maio de 2003. E após brilhar na A3 daquele ano, transferiu-se para o Ajman, da cidade do mesmo nome, nos Emirados Árabes Unidos.
“Graças a Deus fui bem no Exterior, onde disputei duas temporadas. Na primeira, fiz dez gols em 11 jogos; na segunda temporada, joguei todas as 27 partidas e fiz 23 gols. Fui o vice-artilheiro do campeonato, dois atrás de um jogador do time de Dubai, a capital dos Emirados Árabes Unidos”, explicou o bauruense.
Roger também ganhou “um dinheirinho”, apesar de tudo custar caro nos Emirados Árabes e em todo o Oriente Médio, como diz ele. “O que ganhei lá, levaria cinco meses para eu ganhar aqui”, explicou.
O jogador afirmou que fez muitos amigos, entre eles alguns brasileiros. “Não tive problemas com a adaptação, exceto o fuso horário de sete horas, que atrapalhava o sono. A gente dava duro nos treinos mas também se divertia. Doze brazucas jogam no Golfo Pérsico.”
Quanto ao futuro, Roger diz que poderá voltar aos Emirados, mas não nega que prefere voltar a jogar “na nossa terrinha santa”, garante.
“Meu empresário pediu para que eu mantenha a forma, mesmo treinando sozinho, porque além de dois clubes dos Emirados, quatro do Brasil estão interessados em mim. São dois times do Campeonato Brasileiro da Série B e dois da Série A2 paulista”.