09 de julho de 2026
Regional

HAC faz primeiro transplante em índio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) realizou ontem o primeiro transplante de medula óssea em um índio da tribo ianomâmi, do Estado do Amazonas. O procedimento durou cerca de uma hora e foi considerado um sucesso pela equipe médica do hospital.

Durante os próximos 20 dias, aproximadamente, Odílio Neves Figueiredo, 22 anos, será submetido a um isolamento para evitar uma possível infecção. Depois disso, deverá permanecer por mais 100 dias na casa de apoio, que fica em um prédio anexo ao do hospital. Enquanto estiver na casa, o paciente receberá atenção especial dos médicos.

De acordo com a assessoria de imprensa do HAC, Figueiredo só será liberado depois de ficar comprovado, por meio de uma bateria de exames, que o organismo dele aceitou a medula transplantada e o risco de rejeição praticamente não existe mais.

O transplante de ontem foi o 51.º realizado somente neste ano pelo HAC, mas foi o primeiro a atender um índio. Por ter um estilo de vida diferente do “homem branco”, antes de ser submetido à cirurgia, o paciente ianomâmi teve de passar por um período de adaptação e orientação sobre os cuidados que devem ser tomados após o transplante.

A assessoria do hospital não soube informar o custo de um transplante de medula óssea, mas garantiu que a despesa é inteiramente coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O transporte do paciente de Manaus até Jaú também foi custeado pelo SUS, por meio do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD), do Ministério da Saúde. Para chegar à capital amazonense, o paciente teve de viajar dois dias de barco. Figueiredo mora em uma reserva indígena, próxima à vila São Gabriel da Cachoeira.

Ele foi encaminhado com o diagnóstico de leucemia aguda, descoberta em agosto do ano passado. Antes de chegar ao Amaral Carvalho, o paciente foi submetido a tratamento quimioterápico na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas, o que permitiu que atingisse as condições ideais para o transplante.

O procedimento inclui a aplicação de altas doses de quimioterapia e drogas que atuam no sistema imunológico com a finalidade de combater a leucemia e possibilitar o transplante da medula do doador. Após vários exames, no início deste ano, foi confirmada a compatibilidade entre Figueiredo e um irmão dele de 13 anos.

O doador ficará em observação por dois dias por causa da anestesia que recebeu para poder doar. Segundo a assessoria, a anestesia é a mesma usada em trabalhos de parto. Ela paralisa os membros inferiores do corpo.

O HAC realiza transplantes de medula óssea desde 1996. Segundo a assessoria, nesse tempo foram realizadas 470 cirurgias desse tipo. Todas custeadas pelo SUS. O hospital possui, atualmente, 16 leitos para a realização de transplantes. O Amaral Carvalho é uma referência nacional no tratamento de câncer.

De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, o Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo. O País só fica atrás dos Estados Unidos em número de procedimentos. No ano passado, foram feitos 1.197 transplantes no Brasil. Desse total, 636 no Estado de São Paulo.