08 de julho de 2026
Articulistas

Vítimas do tabaco


| Tempo de leitura: 2 min

Desde 1987, em 31 de maio, povos de todas as partes do planeta se mobilizam numa corrente contra os malefícios do tabagismo. Nesta data, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde como “Dia Mundial sem Tabaco”, ocorrem uma série de manifestações com o objetivo de sensibilizar os cidadãos sobre os malefícios do fumo e de seus derivados. Neste ano, no Brasil, teremos um importante evento para marcar o 31 de maio. Entidades médicas e governamentais, promoverão na Capital paulista a “I Caminhada contra o tabaco e pela vida”. Haverá uma grande passeata, além da distribuição de rosas e folhetos para conscientizar a população sobre a necessidade de se enfrentar com rigor o tabagismo, que, como todos sabemos, é atualmente um dos mais graves problemas de saúde pública. Também será realizado um tributo à memória das vítimas do fumo, com orações.

Um tratado internacional que mexe diretamente com a saúde dos brasileiros encontra-se parado no Senado Federal há mais de um ano. Trata-se da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, cujo objetivo é reduzir o tabagismo no mundo. A Convenção propõe a total proibição do fumo em ambientes fechados e logradouros públicos; o fim de diferenciais em embalagens que induzem à errônea impressão de que certos tipos de tabaco causam menos males - como light, ultra light ou mild; a total proibição de toda a forma de publicidade, promoção e patrocínio do fumo; entre outros pontos.

Ela entrou em vigor em 27 de fevereiro de 2005, infelizmente sem a ratificação do Brasil. Mais de 50 países membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) já se comprometeram a aplicá-la em seus territórios, inclusive alguns dos maiores produtores mundiais de fumo, como a Índia e a Turquia. Porém, ainda não perdemos a guerra. Se o Senado assumir sua responsabilidade, pode ratificá-la a tempo de o País participar da primeira reunião de cúpula, que analisará estratégias de implantação da Convenção-Quadro.

O custo social do tabaco é notório. Só em nosso País faz anualmente 200 mil vítimas. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o fumo é fator casual de 50 doenças diferentes, destacando-se as cardiovasculares, o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas. Quando se trata de um assunto tão grave, a arrecadação de impostos da indústria tabagista deve ser encarada como coisa secundária. A saúde dos brasileiros é, de longe, muito mais importante do que qualquer quantia em dinheiro. É óbvio, mas não custa registrar seguidamente: um país que não cuida da saúde de seus filhos corre o risco de sepultar também o seu futuro. Não é isso que desejamos para o Brasil!

O autor, Nise Yamaguchi, é presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica - SPOC