08 de julho de 2026
Politicando

Não vou não...


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Em 1956, o sr. Joaquim Veiga de Araújo era o prefeito de Penápolis. Antes de eleger-se ele era um misto de corretor de imóveis rurais, administrador e fiscal de fazendas, tanto assim que não abdicava de usar polainas e chapéu de quatro bicos. Ele tinha por hábito fazer constantes visitas aos bairros rurais do município, levando sempre consigo um vereador para registrar todas as reivindicações locais.

Na visita ao bairro Saltinho e após percorrer alguns quilômetros, deparou-se com uma grande erosão causada pela chuva, impedindo o prosseguimento da viagem. Retornando e na primeira oportunidade telefonou para o fiscal de obras da prefeitura relatando o fato e exigindo a presença dele e de trabalhadores no local, bem como de ferramentas, materiais e pedras britadas para liberação urgente do tráfego.

O caminhão chegou rapidamente ao local e o serviço teve início. O motorista do caminhão ficou ao lado do veículo, ocasião em que o prefeito solicitou a sua ajuda também naquela patriótica tarefa. O motorista gritou lá do caminhão dizendo:

- Não vou não! Eu sou motorista. O sr. Joaquim respondeu:

- E eu sou o prefeito e estou aqui junto com um vereador que não tem ordenado da Câmara Municipal e o fiscal de obras, todos colaborando com os trabalhadores.

Mesmo advertido, o motorista não foi ajudar. Após o término do serviço, o prefeito disse ao motorista:

- O sr. está destituído da sua função, a partir de agora.

No retorno, o caminhão foi dirigido pelo fiscal de obras até a Prefeitura Municipal.

Nota - O vereador da história era eu.

Contada por Dorival Nogueira