09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"América" passa por crises


| Tempo de leitura: 3 min

Há muito tempo, a qualidade da TV brasileira, principalmente no horário nobre, vem sendo questionada. Agora, por exemplo, a Rede Globo sofre as conseqüências de uma programação que não agrada a população. No dia em que estreou, a novela “América” alcançou 56 pontos de audiência; no segundo dia, 51; no terceiro, uma quarta-feira, caiu para 13 pontos e o número de aparelhos ligados (share) foi de 63%. Geralmente, às quartas-feiras, a novela das 21h da Globo tem seu horário de exibição um pouco reduzido; porém, duas semanas antes, na quarta-feira, dia 3 de março, rendeu 55 pontos: ou o telespectador desliga seu aparelho ou muda de canal.

O telespectador prefere assistir, em outras emissoras, a programas e novelas de qualidade técnica inferior, como por exemplo, “Xica da Silva”, uma novela já passada na extinta Manchete, exibida hoje pelo SBT, e “Escrava Isaura”, na Record.

As críticas mais feitas à novela global são em relação aos seguintes pontos: apologia aos maus-tratos com animais, história sem conflitos convincentes, discriminação religiosa com o papel vivido por Juliana Paes e falta de criatividade. A novela apela para antigos personagens e tramas como “Pantanal”. Abaixo, está a opinião de uma telespectadora:

“Eu, como telespectadora, estou particularmente achando cansativo ver rodeios e fugas praticamente a novela toda. A Déborah Secco falando mole o tempo todo. Ela está chata, E isso eu ouvi de várias pessoas que conheço. São abordados temas como cegueira, que acho válido, mas deveria ter mais conteúdo e não deixar rolar, ser sofrimento a novela toda e, no final, no último dia, todo mundo morre, casa, vai embora, ter um fim corrido e chato como a novela que acabou “Senhora do Destino” - 13 de abril de 2005 - 8h41 - Márcia Ribeiro de Carvalho, São Paulo. Devido à péssima crítica e à audiência ruim, Jayme Monjardim não dirige mais “América” e a trama de Glória Perez está sem diretor. Levando pelo lado econômico, os anúncios da Globo são os mais caros da TV brasileira. Em outras emissoras, os preços são bem inferiores. Isso representa para a parte comercial um grande problema: o anunciante quer uma programação assistida pela maioria, porque ele pode pagar por isso. Porém, quando isso não acontece, eles migram para outras emissoras mais baratas (CPM), ou seja, se “Omo” fazia, por exemplo, dez inserções semanais, agora faz apenas três.

Enquanto a emissora global gasta altos valores na produção de uma novela que não vem dando o retorno esperado, o SBT, Band e Record investem menos e com um excelente retorno. Outro problema é que muitos anunciantes não querem associar suas marcas aos valores passados pela trama.

A solução seria a diminuição do tempo da novela, concedendo-lhe apenas alguns meses, e recomeçar outra trama, mas, é claro, mais agradável ao público, mais criativa e sem apelação. Caso contrário, se nada for feito, a Rede Globo está às portas de uma crise econômica, ocasionando um corte de gastos e refletindo na qualidade de seus programas.

Jessé de Oliveira Melo - RG 32.044.592-6