08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Doação do presidente


| Tempo de leitura: 2 min

Talvez empolgado, enlevado pelo ambiente da Basílica de Assis na Itália, assim se expressou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao agradecer um presente do reitor Vicenzo Coli: “O grande sucesso de cada ser humano é o despojamento das coisas materiais e a disposição de repartir com quem não tem”. Esta frase é de autoria do eminente teólogo São Francisco de Assis, infelizmente, vem sendo apreciada entre nós de maneira deturpada, por grupos político-administrativos e de poder. Daí, fazendo do Brasil uma nação bastarda, espúria e simulada.

O elevado teor desta frase, idealizada pelo respeitável fundador da confraria Franciscana, se materializa na forma pela qual, deveremos fazer a doação. Assim, doar exclusivamente aquilo que é seu, fruto do seu trabalho, do seu labor. Neste caso, e só assim, estaremos cometendo um ato de legítima disposição, de uma verdadeira doação.

Agir ao contrário seria dispor em doação daquilo que não nos pertence, fazendo-nos detentores de um direito de disposição de forma usurpada. O que gera uma anomalia, uma aberração, um crime.

Contudo, como sabemos, uma maioria dos nossos políticos, nossos homens de poder, nossos administradores, embora cientes da iniqüidade dos fatos, agem em total desacordo com o pensamento do eminente teólogo. Pensamento este, que dizem conhecer. Investidos na administração, usam e abusam do poder. Distorcem a moralidade do ato. Metem as mãos nas reservas da Nação, como se fossem senhores absolutos desses bens. Nomeiam para sinecuras altamente remuneradas, não só uma leva de familiares, mas elevado número de amigos e correligionários, afrontando os princípios legais, que formalizam a admissão do cidadão ao serviço público. Tal atitude se configura em verdadeiro escárnio à sociedade, à Nação brasileira. Nesse ato, na verdade, consuma-se a doação de um bem de caráter público, que é administrado pela pessoa, mas que não lhe pertence, não é de sua propriedade. É um direito, um bem, pertencente à nação brasileira, é um bem público. Porém, não em disponibilidade para alguém lançar mão, fazendo-se detentor através de fraude.

Homens públicos, quer sejam políticos, administradores ou de poder, fazem parte do quadro administrativo da Nação. Contudo, não são senhores absolutos desta. São servidores qualificados, mas nem por isso possuem o direito de lançar mãos do que à Nação pertence. Usarmos de direitos que não nos pertencem e nem nos é facultado, é um ato criminoso, espúrio. É um saque de forma imoral aos valores inerentes à Nação.

É a própria transfiguração da imoralidade, do desrespeito ao direito de uma sociedade, de um grupo social laborioso.

Quem assim age, faz parte de uma elite esvaziada de civismo, incapaz de oferecer algo de seu a uma pessoa necessitada, a um trabalhador relegado ao abandono, à uma criança desassistida, que perambula pelas ruas, sem destino, sem futuro.

Para essa elite, o mundo é seu, gira exclusivamente ao seu redor. Ela não possui capacidade para entender ou discernir uma frase como esta do excelso teólogo São Francisco de Assis.

Áureo Correa de Souza - RG. 3.338.605