11 de julho de 2026
Cultura

"Concurso Mães & Filhos - A melhor história do nosso mundo"


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Pela lente do amor

Depois de minha concepção, aguardava ansiosamente que minha mãe me descobrisse, e assim aconteceu. Algumas semanas depois ela abriu um envelope, começou a chorar, me acariciar em sua barriga e naquele momento, me fez uma declaração de amor. Assim começou a nossa história. Minha mãe não se conteve quando ouviu pela primeira vez as batidas do meu coração, quando o médico lhe disse que eu era uma mulherzinha.

Ah, que alegria, quantos sorrisos e lágrimas, já me sentia tão amada por ela... Mas algo me preocupava muito e me deixava insegura! Como mamãe reagiria ao descobrir que eu tinha alguns problemas e poderia não corresponder às suas expectativas?

Chegou o dia em que o médico disse à minha mãe que eu nasceria com uma má formação congênita e que, após o meu nascimento, eu exigiria muitos cuidados da parte dela. Minha mãe ficou triste e até chorou, pensando que não poderia me ver engatinhar, dar meus primeiros passos, correr e andar de bicicleta como as outras crianças. Mas isso durou pouco. Logo me envolveu com suas mãos protetoras e me disse: "A mamãe está aqui e te ama. Vamos lutar juntas!”. E eu senti a força do seu amor.

Os meses se passaram, até que eu vim ao mundo prematuramente, eu e minha mãe não pudemos nem mesmo nos ver, pois tive que fazer uma cirurgia antes mesmo dela se recuperar do parto. Depois de alguns dias, precisei de outra cirurgia, fiquei no isolamento e não pude estar em seus braços nem ser amamentada por ela...

Sofri muito, mas ouvia uma voz que, para mim, já era conhecida, que me acalmava e dizia: “Eu estou aqui e te amo. Vamos lutar juntas!” Finalmente, depois de quase um mês, senti alguém que me pegava no colo e me acariciava. Era impossível não reconhecer aquele abraço, aquele cheiro... Saí do hospital algum tempo depois, eu e minha mãe fomos para nossa casa. Hoje, tenho três aninhos, sou linda, feliz e acima de tudo muito amada. Minha mãe sempre diz que depois da minha chegada, aprendeu a ver a vida e tudo o que nela há “pela lente do amor”.