08 de julho de 2026
Turismo

Velho Chico

Eliane Barbosa com Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

A baixa temporada é uma das melhores épocas para quem quer conhecer Alagoas pagando menos pelos pacotes e com tempo suficiente para sair da Capital, Maceió, rumo ao sertão ou ao Velho Chico.

Abençoada por Deus com lugares que serviram de cenário inclusive para a produção nacional “Deus é Brasileiro”, o Estado vai além do trinômio mar, céu e lagoas.

Piranhas é um dos exemplos, assim como a impagável Penedo, na foz do rio da integração.

Conhecida como “lapinha do sertão”, Piranhas é um presépio a céu aberto. Uma cidade que abraça o rio São Francisco e é considerada uma das mais antigas de Alagoas.

As casas brancas em estilo barroco, as ruas estreitas e os morros que protegem o Velho Chico levam o visitante a um retorno ao passado colonial. As belezas naturais, culturais e históricas lançam-se ao olhar do visitante logo na entrada.

Do alto, avista-se seu principal cartão-postal: suas residências caiadas e coloniais ao redor do rio São Francisco, cuja água de tonalidade azul-esverdeada ajuda a amenizar o calor.

No verão, a temperatura em Piranhas chega fácil aos 40 graus. E mais uma vez o rio dos nordestinos prova seu valor convidando a banhos refrescantes.

À noite tudo muda de figura. A temperatura despenca e chega a uma média de 23 a 24 graus, perfeita para o refúgio a suas pousadas com nomes sugestivos: Maria Bonita, Lírio do Vale, Lampião, da Trilha, Marihá, Xingó e Remanso, que preservam a história do cangaceiro Virgulino Ferreira.

Lampião escolheu a região para se refugiar por causa da topografia íngreme, de difícil acesso, que hoje é disputada pelos turistas em suas caminhadas. Com Maria Bonita e toda a gangue escolheu a Fazenda de Angicos, ou melhor, a Gruta de Angicos (localizada no município vizinho sergipano de Poço Redondo - que fica à margem direita do rio São Francisco para se proteger da perseguição policial.

A gruta e o cangaço

A Gruta dos Angicos onde o casal, acompanhado do bando de cangaceiros, foi morto pela polícia alagoana, hoje é bastante visitada por turistas interessados em conhecer um pouco da história do Cangaço. Esses acontecimentos inspiraram a produção dos principais documentários em Piranhas: Bye Bye Brasil e Maria Bonita e Lampião.

De barco ou de catamarã, navegando pelas águas mansas do Velho Chico, chega-se a Angicos. Um passeio que a cada temporada atrai mais gente por conta das belezas naturais ao longo do percurso. Uma das paradas indispensáveis é no povoado de Entremontes, que pertence ao município de Piranhas. O povoado é conhecido nacionalmente pelo artesanato produzido pelas mulheres que fazem as rendas de bilro, bordados com ponto cruz e redendê.

Além da “lapinha do sertão”, como é conhecida Piranhas, de Entremontes e de Angicos, os visitantes não devem perder a oportunidade de conhecer lugares únicos do sertão alagoano, como o riacho do talhado situado na região dos canyons que abrange o lago da Hidrelétrica de Xingó - considerada a sétima maior e mais moderna do mundo.

É um lugar único para tomar um banho delicioso nas águas do rio. Para chegar até lá, o mais indicado é seguir as dicas dos guias turísticos, saindo de Maceió, Alagoas ou de Aracaju, em Sergipe.

O passeio mais indicado é através de catamarãs que deslizam pelas águas do rio, com direito a parada de 30 minutos no meio do canyon para banhos refrescantes sob o sol abrasador. Nas redondezas há sítios arqueológicos que podem ser visitados.

A comida do sertão

Na volta, descanso nas pousadas e comida caseira das boas. Arretada assim como o bando do cangaceiro mais famoso do País.

Fazem parte da culinária local pratos típicos saborosos: peixada de surubim e dourado, pituzada, carne de carneiro e feijoada de canoa. A comida pode ser degustada nos bares à beira do rio São Francisco ou no restaurante Flor do Cactu’s no mirante, onde se tem uma vista privilegiada da cidade.

Existem dois mirantes no município: um que simboliza a passagem do século 19 para o século 20; outro construído recentemente representando a passagem do século 20 para o século 21.

Além de passeios e gastronomia, Piranhas é rica em cultura e folclore. A população comemora as festas populares da padroeira Nossa Senhora da Saúde, Carnaval e São João, comemorado no mês de junho. Todas são animadas com as bandas de pífano, pastoril e guerreiros.

Caatinga e cachoeiras

O potencial turístico de Piranhas e de toda a região em torno do rio São Francisco pode ser medido pelo número de visitantes. Mais de 2.500 pessoas, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, têm visitado a cidade e seu Museu do Sertão.

Os turistas se encantam com um lugar completamente diferente de outras cidades do litoral alagoano e procuram o turismo histórico e ecológico, participando de caminhadas pela caatinga, percorrendo vales, riachos pedregosos e pequenas cachoeiras.

Distante cerca de três horas de Maceió, chega-se a Piranhas através das rodovias AL-225 e AL 220 (via Arapiraca). Emancipada em 3 de junho de 1887, quando Dom Pedro II referendou o decreto em viagem ao desbravamento do sertão nordestino, Piranhas chamava-se no passado Tapera.

O nome mudou por conta de um caboclo que, segundo a lenda, retornava de uma pescaria com uma grande piranha nas costas. O peixe deu nome a localidade que hoje tem 21 mil habitantes e localiza-se no Oeste de Alagoas.