Igualmente emoldurada pelo rio São Francisco, Penedo apresenta ladeiras irregulares, arquitetura secular e igrejas históricas. Visitá-la é voltar ao passado e descobrir uma das cidades mais importantes do Nordeste brasileiro, base portuária para o escoamento de mercadorias de Alagoas e Sergipe.
Chega-se a ela através da estrada litorânea que sai de Maceió e percorre um dos itinerários mais belos que a natureza oferece.
Confirmando a vocação aquática de Alagoas, há uma seqüência de praias, todas encantadoras, que dividem o sol e o mar com o verde dos coqueirais.
A cidade secular é toda banhada pelo “rio da esperança e da união” que fortalece toda uma cultura ribeirinha rica em hábitos, costumes, linguajar próprio, modo de vida e tantos outros laços de particularidades que estabelecem o grande vínculo entre o homem e a água.
A origem da cidade data da época das capitanias hereditárias. Duarte Coelho de Albuquerque, sentindo a necessidade de conquista da terra e expansão da capitania de Pernambuco, realizou uma expedição que atingiu o rio São Francisco.
Fundou em um rochedo (penedo) que se eleva à margem esquerda do rio, uma feitoria com o objetivo de combater os indígenas hostis.
Essa construção teria dado origem à cidade que a princípio denominou-se vila do São Francisco e depois Penedo, em razão do grande rochedo em que está assentada.
Cidade histórica, Penedo sofreu invasão dos holandeses e se associou aos portugueses contra os Palmares e na revolução Pernambucana de 1817. Sua história, portanto, está marcada por acontecimentos importantes, que ficaram na memória do País e deram a ela uma posição de destaque no contexto regional.
A velha “Cidade dos Sobrados”, banhada pelo rio São Francisco, transformou-se num importante centro intermediário entre as cidades ribeirinhas e os centros comerciais graças à navegação fluvial e a proximidade do mar.
Um dos passeios mais belos para se fazer em Penedo é navegar pelo Velho Chico até o delta. Ou seja, o encontro do rio com o mar, desta vez já no município de Piaçabuçu.
O percurso de Penedo até o porto de Piaçabuçu é de 25 km. O catamarã, confortável e bem equipado também de bebidas, frutas e petiscos, corta o rio descendo em direção à foz, no Pontal do Peba, município de Piaçabuçu.
Ao nascer ou ao pôr-do-sol, parece que a natureza ali concentra toda a sua grandiosidade, numa mistura do ouro do sol com o verde do mar, cujas águas não se misturam com as correntezas barrentas do rio. Forma-se uma nítida auréola de separação e de encantamento.
Durante o percurso, os visitantes se encantam com a beleza das margens, da vegetação, da fauna e com a vista das ilhas do Monte, Criminosa, Batinga e das Fitas, que guardam segredos e histórias curiosas.
Chegando à foz, nada melhor do que um refrescante e demorado banho nas águas do rio ou do mar, abastecendo as energias para uma caminhada de tirar o fôlego pelas areias finas e brancas de um dos lugares mais lindos do Brasil.
Igrejas e mistérios
Colonizada pelos portugueses, Penedo tem forte vocação religiosa. E isso se vê pela quantidade de igrejas históricas, coloniais em seu centro histórico.
Uma das mais visitadas é a das Correntes, concluída pelo capitão André de Lemos Ribeiro. A Igreja da Corrente é um dos mais belos exemplares de Alagoas, tanto pela simplicidade de suas linhas, como principalmente pelo equilíbrio de seu interior, decorado com motivos rococós, bem distribuídos.
Nossa Senhora dos Anjos, Santa Cruz, São Gonçalo Garcia e Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos são outros exemplares da fé católica que se misturam a prédios históricos da cidade cercada de lendas e mistérios alimentados pelo sono do rio.
Dizem os místicos que uma vez por ano, em uma noite que ninguém sabe qual é, sempre à meia-noite, o Velho Chico descansa. E nela tudo pode acontecer.