O corpo do servente Adriano de Oliveira, 25 anos, foi encontrado por volta das 7h entre os trilhos da linha férrea que corta o Jardim Europa, em Bauru. A princípio, o maquinista de uma composição que passou pelo local achou que o trem havia atropelado a vítima. Mas a Polícia Técnica constatou que a morte havia ocorrido por volta das 20h de anteontem e não havia sido causada por atropelamento.
Supostamente, o objetivo seria que a composição passasse sobre o corpo e, assim, camuflasse o assassinato. Oliveira é a 15.ª pessoa morta em situação violenta neste ano em Bauru. O delegado Marcelo Haddad, titular do 3.º Distrito Policial, ouviu preliminarmente dos peritos da Polícia Técnica que o corpo apresentava rigidez, ferimentos na região da cabeça e um sangramento na boca. A partir dessa informação, os policiais da Base da Comunitária de Segurança Sul e do 3º DP começaram a buscar evidências de prática de homicídio em outro local.
O comandante da Base Sul, tenente João da Costa Duarte, explica que os PMs encontraram, próximo de onde o corpo foi deixado, rastro no chão até um ponto de mato amassado. Na seqüência, notaram rastro de pneu de um carrinho de mão. Os policiais seguiram a trilha por cerca de 500 metros até chegar a um barraco no Parque das Nações. No terreno da casa foi localizada uma sandália igual a que Oliveira calçava. As buscas localizaram também um par de sapatos de camurça com mancha de sangue.
Na residência estavam Albertino Ferreira da Silva, 49 anos, acusado do crime que foi preso em flagrante, e sua companheira, uma moça de 24 anos. Posteriormente, Sérgio Ramos Lopes, 22 anos, também foi preso acusado de ter participado do homicídio. Na delegacia, a moça mudou a história inicialmente contada quando estava junto com Silva. Ela disse ao delegado que na noite de quarta-feira a vítima chegou na residência onde Silva e Lopes já estavam.
Ela contou que todos consumiram álcool e teriam fumado crack. Num determinado momento, eles se desentenderam e a vítima foi derrubada e espancada a chutes, pauladas, cano de ferro e outros objetos. Segundo a moça relatou a Haddad, os dois só pararam as agressões quando a vítima desmaiou. Então, os dois homens teriam jogado a vítima em frente à casa, próximo a restos de uma queimada - o corpo achado na via férrea apresentava resquícios de cinzas.
Após deixar a vítima desmaiada no local, os dois homens e a moça teriam ido trocar latas de óleo por mais bebida e cigarro em um bar próximo. Na volta, Silva e Lopes teriam notado que Oliveira estava gelado. Então, teriam colocado o corpo no carrinho de mão e levado-o até a linha férrea.
Indícios do crime
No interior do barraco, a polícia apreendeu vários objetos que teriam sido utilizados para bater na vítima. Foram encontradas uma faca de cozinha, um punhal, um cano de ferro, uma ripa, um caibro de eucalipto e a frente de um ventilador quebrada. O carrinho de mão também estava no local.
Haddad esclarece que foi ao bar próximo da casa onde confirmou com a proprietária do estabelecimento a versão contada pela amásia de Silva. O acusado disse que tinha sujado o sapato ao limpar uma mancha de sangue no chão.
O delegado esclarece que a moça alegou ter sofrido ameaça de morte se não confirmasse a versão do companheiro. Ela, que foi arrolada pela polícia como testemunha do homicídio, apresentava um hematoma no olho esquerdo que indicava ter levado um soco.
Os dois homens acusados pela morte negaram a autoria do crime. Apenas Silva possui antecedentes criminais por lesão corporal e receptação. Haddad explica que autuou ambos por homicídio qualificado (motivo fútil e meio cruel) e também por ocultação de cadáver. Depois do flagrante, os dois foram encaminhados para a Cadeia Pública de Avaí. O esclarecimento da morte teve ainda a colaboração da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) de Bauru.