A alimentação de 1.750 servidores por dia, através da cozinha situada na escola do Caic, na Vila Nova Esperança, deve acabar. O prefeito Tuga Angerami (PDT) confirmou ao JC que a Secretaria Municipal de Administração está realizando estudo para apontar se a alimentação do servidor deve passar a ser oferecida através do pagamento de vale junto ao salário ou por distribuição de cartão-alimentação.
A definição sobre a mudança na alimentação do servidor sairá deste estudo. “A prefeitura não pode continuar desempenhando papéis que não são seus, sendo uma grande empresa que abriga outras tantas em funções de vigilância, segurança, alimentação, transporte, etc.”, comenta o prefeito.
O chefe do Executivo já havia indicado, desde a fase de transição do governo, no final de 2004, que iria mexer nessas estruturas. No caso das refeições oferecidas aos servidores, havia um grupo que defendia a terceirização. Mas a tendência atual é a de opção pelo pagamento da alimentação. “O estudo vai apontar toda a estrutura atual utilizada para preparar a comida e entregar. É uma logística enorme, de compras, estoque, cozinha e entrega. A avaliação será ou por um valor específico acrescido ao salário ou cartão alimentação”, conta.
A direção do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) informa que vai aguardar a apresentação das propostas pelo Executivo para se posicionar. A sindicalista Sônia Carvalho argumenta que será discutido qual a nova forma de se oferecer a alimentação. “Tem uma vantagem para a prefeitura com o fim de compras imensas e o fim de reclamações sobre a qualidade da comida. Com o ticket ou o pagamento, o servidor pode escolher onde e o que comer. Mas vamos discutir a proposta e nos posicionar”, indica.
Se a opção for pelo pagamento da alimentação direto para o servidor, Carvalho opina que tem que ser definido valor em separado do salário. “Não adianta propor pagar junto com o salário. Se esta for a opção, tem que lançar o valor em separado no holerite como benefício. Se for vale-alimentação já fica claro”, adverte.
Estrutura e logística
A Secretaria de Administração adiou para hoje informações sobre estrutura e logística atual utilizada para a alimentação do servidor. O relatório do programa de alimentação do servidor de 2004 traz que a cozinha do Caic forneceu cerca de 1.750 refeições/dia. Entretanto, a capacidade é para 600 refeições/dia.
Outros problemas são o planejamento na compra dos gêneros alimentícios, transporte e acesso ao benefício. “As quantidades solicitadas nos processos de compra são superiores ao consumo utilizado pela nutricionista”, aponta o relatório. A distribuição das marmitas não é racional, com veículos rodando mais que o necessário para cumprir os itinerários, segundo o documento.
Outro problema é que, criado por lei municipal em 1988 para servidores de baixa renda, o programa vem sendo oferecido também para diretores e funcionários de escalão superior, conforme o levantamento.
Das cerca de 1.750 refeições/dia, em torno de 800 seriam distribuídas por marmitex e a outra parte em caixas térmicas para grupos de servidores em setores operacionais. Um caminhão percorre diversos pontos e a área de saúde fornece os alimentos em veículos próprios.
Cerca de 24 profissionais atuam na cozinha, consumindo, por dia, 60 quilos de feijão, 120 quilos de arroz, 130 quilos de carne e 12 caixas de verdura. O custo unitário por refeição estimado pelo documento é de R$ 6,68, mas alguns indicadores utilizados nas planilhas estão sendo revistos.
Conforme o relatório, isso exigiu gasto de R$ 254 mil com gêneros perecíveis, como arroz, feijão e macarrão, R$ 55 mil com legumes e verduras, R$ 360 mil com carnes e R$ 6 mil com produtos de limpeza no ano passado.
São 461 mil refeições ao ano, ou 39 mil na média por mês, servidas aos funcionários. Apesar dos 1.750 atendidos atualmente, há lista de espera. A intenção da administração é acabar com essa estrutura para evitar perdas, facilitar o oferecimento da alimentação, reduzir a estrutura e o tempo com o sistema, aumentar o controle de gastos sobre essa despesa, evitar eventuais desvios ou desperdício de alimentos, reduzir os processos de compras e concentrar esta logística em atividades prioritárias para a gestão pública.