08 de julho de 2026
Bairros

Escola fecha classes e gera reclamações

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ieda Rodrigues

O fechamento de duas turmas - uma da 1.ª série e outra da 3.ª série - da escola estadual João Pedro Fernandes, localizada no Núcleo Índia Vanuíre, programada para a próxima segunda-feira, está gerando reclamações. Ontem, um grupo de pais de alunos, professores e integrantes do Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp) discutiram o assunto numa reunião tumultuada e anunciaram que vão fazer um protesto em frente à unidade de ensino na segunda-feira.

Os alunos das classes a ser desativadas serão transferidos para outras turmas da mesma escola, respeitando o limite de 35 estudantes por sala de aula de 1.ª a 4.ª série. Paulo Maximino, assistente técnico de planejamento da Diretoria de Ensino, explica que, na verdade, será feita uma fusão de turmas. “Juntas, as três turmas de 1.ª série têm 69 alunos. Portanto, dividindo-os em duas classes, não vai ultrapassar o limite de 35 alunos por sala, estabelecido pela Secretaria de Estado de Educação”, frisa. Para 5.ª a 8.ª série e ensino médio, o máximo permitido são 45 estudantes por sala de aula.

Situação semelhante é a da 4.ª série: são 70 alunos em três turmas, que a partir de segunda-feira devem ser redistribuídos em duas salas. Mas a explicação não está sendo suficiente. “A nossa preocupação é que fechem a escola. Hoje é uma turma, amanhã é outra. Estão comentando que desse jeito pode fechar”, conta Aladiágara da Silva Mendes Paula, avó de Rafael Guilherme Pereira, aluno da 3.ª série da escola.

A dirigente regional de Ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, garante que não há esta possibilidade. “A escola, que tem cinco classes, no início do ano letivo tinha de 330 alunos, quando poderia ter mais. Alguns pediram transferência e por isso agora será feita esta fusão de turmas, mas não há nenhuma possibilidade de a escola fechar”, afirma.

Prejuízos

Laércio Simões, coordenador da subsede Bauru da Apeoesp, que participou da reunião com professores e pais de alunos ontem na escola, não concorda com a fusão de turmas. “Essa mudança quase no meio do ano letivo prejudica o aprendizado do aluno, que já estava acostumado com o professor e a turma. Se cada classe ficará com o limite máximo de aluno, como a escola vai fazer se mais crianças de 1.ª e 3.ª séries mudarem-se para o bairro?”, questiona.

Além disso, ele lembra que a fusão de turma deixará dois professores, que são contratados temporariamente, desempregados e provocará uma reestruturação da escola. “Enquanto era uma escola com 12 turmas, a João Pedro Fernandes tem em seu quatro um professor coordenador e um secretário. Caindo para dez, perderá estes dois profissionais”, diz.

Maximino admite que a fusão de turmas no decorrer do ano letivo não é bom para o aprendizado, mas frisa que é obrigação da Diretoria de Ensino cumprir a resolução da Secretaria de Estado de Educação quanto ao número de estudantes por classe para sanear custos.

Sobre a demissão de professores admitidos em caráter temporários, os ACTs, Maximino ressalta que eles podem novamente candidatar-se para dar aulas que sobrarem em função de licença médica e afastamento de docentes efetivos.

Neste ano, conta ele, já foi fechada uma classe de 1.ª série na escola estadual João Maringoni, no Núcleo Beija-Flor também devido à redução no número de alunos. A escola Durval Guedes de Azevedo, no Jardim Ouro Verde, quase teve classes fechadas neste ano, mas de acordo com a dirigente regional de Ensino, conseguiu alguns novos alunos e, por enquanto, a medida não foi tomada.

Apesar das ponderações, a Apeoesp e um grupo de pais de alunos mantêm o protesto programado para segunda-feira em frente à escola João Pedro Fernandes contra o fechamento das duas classes. Amanhã, às 15h, eles devem reunir-se na associação de moradores do bairro para discutir o manifesto.