11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em 7 meses, Banco do Povo assina somente 42 contratos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Sem diminuir o mérito dessa importante conquista para o município, desde que começou a operar - em outubro do ano passado - até agora o Banco do Povo de Bauru liberou apenas 42 contratos de financiamento, no valor total de R$ 106.199,54. Apesar de estar dentro da média estadual para unidades abertas há menos de um ano, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio, admite que o volume é baixo. Para mudar isso, busca formas de acelerar o processo.

De acordo com ele, nas unidades do banco existentes no Estado de São Paulo há mais de um ano, a média é de 20 contratos liberados mensalmente. Em Bauru, no momento a média é de seis por mês. Na avaliação de Sampaio, além da tímida divulgação do programa do governo estadual na cidade, outro obstáculo para a efetivação de um número maior de contratos é o rigor dos critérios exigidos para a concessão do crédito.

“As regras são definidas pelo Estado, sendo que o município apenas as cumpre. Entre as exigências estão a de um avalista com renda compatível ao financiamento solicitado, não ter o nome registrado no SPC e Serasa, e outras. Nós já solicitamos ao Estado para que relativize um pouco isso, ou seja, que o Comitê Gestor analise caso a caso. Mas isso é um pedido que será avaliado a longo prazo”, observa.

Por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Bauru e o governo do Estado, o Banco do Povo concede financiamentos de R$ 200,00 a R$ 5 mil para pessoas físicas ou jurídicas que desejam abrir seu próprio negócio ou investir em atividades já existentes. A taxa de juros de 1% ao mês só é aplicada se o pagamento das parcelas atrasar. Embora a unidade tenha sido inaugurada na cidade em 21 de julho do ano passado, só passou a operar efetivamente com a concessão de créditos no mês de outubro.

De acordo com o secretário Walace Sampaio, entre os 42 beneficiados pelo programa em Bauru estão sacoleiras, cabeleireiros, eletricistas, serralheiros, costureiras, borracheiros, motoristas e outros. Caso interessante é o de um senhor que fez financiamento para adquirir uma carroça e um cavalo: ele trabalha com coleta de material reciclável.

“O programa é realmente direcionado a pessoas de baixa renda, por isso, sabemos que algumas exigências dificultam (o acesso). Além da flexibilização das análises dos casos, nós também já sugerimos ao Estado a criação de um Fundo de Aval para respaldar as pessoas que não têm garantias para apresentar. Mas ainda não recebemos resposta”, afirma Sampaio.

O secretário ressalta, ainda, que também foi solicitada para Bauru a destinação de verba do Pró-Lar, outra modalidade de financiamento oferecida pelo Banco do Povo. O programa concede empréstimos de R$ 200,00 a R$ 5 mil para famílias de baixa renda interessadas em reformar ou ampliar seus imóveis.

O diretor da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert), Alexandre Ciro Perin Bertoni, diz que o trabalho do banco em Bauru “está lento, mas caminha bem”. “Nos dias 31 deste mês, 1 e 2 de junho, uma funcionária do Banco do Povo de Bariri estará em Bauru dando treinamento às funcionárias daqui. Precisamos investir nisso.”

Segundo ele, no Estado existem 345 unidades do banco, que ao todo já concederam R$ 249.514.809,00 em 94.160 contratos, até o mês passado.

Em Bauru, o Banco do Povo fica na rua Gustavo Maciel, 11-49.

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Conquistas

O cabeleireiro Antony Soares Simões financiou, em março, R$ 1.100,00 no Banco do Povo para comprar uma sofisticada cadeira hidráulica e um lavatório novo para atender seus clientes com mais conforto. “Vou pagar em dez parcelas sem juros. Só tem juros se atrasar as prestações. Esse investimento é muito importante para mim, pois a prosperidade amplia as possibilidades do meu negócio”, afirma.

Maria Serrano dos Santos, que tem uma loja de confecções no Jardim Godoy, está pagando em seis prestações o empréstimo de R$ 1.000,00 que fez para comprar roupas e aumentar o giro de mercadorias. “Foi um pouco difícil conseguir (o crédito) porque tem bastante exigências, mas deu tudo certo e pretendo fazer outros (contratos).”