09 de julho de 2026
Saúde

Mercado fitoterápico cresce no Brasil

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Medicamentos à base de plantas medicinais têm sido cada vez mais utilizados pelos brasileiros. Dados do setor mostram que os fitoterápicos já representam 7% do segmento farmacêutico no Brasil, movimentando cerca de US$ 400 milhões por ano. A crescente expansão é atribuída ao potencial que esses produtos têm de prevenir e tratar doenças, com menos efeitos colaterais que os remédios alopáticos convencionais.

Outra prova desse crescimento está no aumento do número de farmácias de manipulação no País. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais (IBPM) divulgou que a quantidade desses estabelecimentos foi ampliada em 73% nos últimos cinco anos, passando de 3,1 mil para 5,3 mil.

Na opinião da farmacêutica Rute Mendonça Xavier de Moura, professora de farmacognosia (estudo dos fármacos de origem animal e vegetal) da Universidade do Sagrado Sagrado Coração (USC) de Bauru, parte desse crescimento deve-se ao aprimoramento das pesquisas científicas. “Especialmente nas universidades, onde são investigados os componentes químicos dessas plantas, seus efeitos terapêuticos e toxicológicos”, destaca.

Moura comenta que até há poucos anos, a prescrição de medicamentos fitoterápicos era restrita aos homeopatas e outros profissionais adeptos de terapias naturais. “Hoje, vários especialistas prescrevem esses fármacos, como o Ginko biloba para melhorar a circulação sistêmica do paciente, ou o Hipericum perforatum como antidepressivo”, exemplifica.

Destaque nesse sentido é a ginecologia, que tem obtido excelentes resultados com o uso de remédios e suplementos de origem vegetal para aliviar os incômodos da tensão pré-menstrual (TPM) e da menopausa. Até mesmo a terapia de reposição hormonal está trocando os hormônios sintéticos pelas isoflavonas – substâncias extraídas da soja.

“E tudo isso ocorre justamente porque a fitoterapia deixou de ser uma coisa empírica (baseada em experiências pessoais) para ganhar a amplitude das pesquisas científicas”, reforça.

Seleção criteriosa

Moura defende que a grande vantagem da farmacognose e da industrialização dos fitoterápicos é a possibilidade de se extrair das plantas apenas as substâncias que têm efeito terapêutico. Ela explica que, para se defender das agressões do meio ambiente, as plantas apresentam substâncias tóxicas. Substâncias capazes de protegê-las das oscilações de temperatura e do ataque de insetos, por exemplo.

“Esses metabólitos secundários, como são chamados, são produzidos em maior ou menor quantidade conforme as agressões que aquela planta sofre. Algumas têm tantos metabólicos que não podem ser usadas na forma caseira, como acontece com a valeriana. Via de regra, toda planta que tem látex - aquele líquido que parece um leite - não deve ser ingerida pelo ser humano. De qualquer forma, na dúvida, não use”, orienta.

A farmacêutica salienta que a resolução RDC 48 (16/03/04) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta a utilização dos fitoterápicos no Brasil. Muitos são vendidos sem prescrição médica e podem ser usados na forma caseira.

Porém, vários outros fitoterápicos só podem ser vendidos sob prescrição médica. “Mesmo os produtos liberados, o ideal é que as pessoas usem mediante acompanhamento médico e farmacêutico, porque, como todo medicamento, os tratamentos têm uma duração específica”, adverte.