07 de julho de 2026
Ser

Mocinhas com TPM

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Irritação, ansiedade, instabilidade emocional, mal-humor, cólica, inchaço, aumento de peso, dor de cabeça e nas mamas. A explosão desses sintomas, juntos ou isolados, é sinal da Tensão Pré-Menstrual, a famosa TPM, que atinge centenas de mulheres uma vez por mês, durante o ciclo menstrual.

Na adolescência, a TPM assume um perfil especial e merece maior atenção. Isso porque, em geral, as garotas começam a menstruar cedo, a partir dos 9 ou 10 anos. Nessa fase, grande parte delas passa a conviver com a produção hormonal ainda desordenada e as transformações do corpo, que algumas vezes podem ser motivo de vergonha ou insegurança.

Além disso, as mocinhas começam a enfrentar a instabilidade emocional própria da idade e uma rotina agitada, que inclui escola, cursos extra-curriculares, convivência e aceitação no grupo de amigos. Todos esses fatores podem contribuir para o surgimento da TPM entre meninas de 9 a 18 anos.

Reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde, ela é cada vez mais comum nessa faixa etária, explica a ginecologista e obstetra Marli Faria. “Antigamente as garotas não tinham tanta preocupação. Hoje, desde cedo, elas são submetidas a uma avalanche de informações”, diz.

“Uma menina de 12 anos que menstruou, por exemplo, faz curso de inglês, balé, piano, além da escola, que já é puxada. Os pais querem que ela tenha bom comportamento e que vá bem nos estudos. Isso pode gerar um desequilíbrio emocional”, detalha Marli.

“A TPM começa com um desequilíbrio hormonal e emocional e uma tendência pessoal”, explica a ginecologista. Os sintomas variam para cada mulher e podem ser concomitantes ou isolados. Além dos já citados, a TPM pode provocar dores abdominais, alteração no sono, raiva, choro fácil e aumento da sensibilidade. Em alguns casos, pode levar à depressão.

Cuidado especial

Por esses motivos, a TPM na adolescência deve ser encarada de forma especial pela família, observa a psicóloga Norma Figueiredo, especialista em adolescentes.

“O problema é bem delicado porque muitos pais não percebem ou ficam com receio em levar a filha ao psicólogo ou procurar um tratamento”, diz Norma. “A TPM para as mocinhas não se difere da tensão sentida pela mulher adulta. O que muda é a forma como as garotas e os pais lidam com isso”, completa Marli.

Na casa das estudante Vívian Húngaro Costa, 15 anos, a TPM é um assunto tratado com muito carinho. A adolescente, que há dois anos sofre com os sintomas, conta com o apoio dos pais para superar os dias “terríveis” que antecedem a menstruação. “Não preciso nem avisar quando estou com TPM. Fico estressada demais, qualquer coisa eu estouro. Algumas vezes é bom nem conversar comigo, fico muito chata”, confessa.

Nesse período, sua mãe, a bancária Valéria Húngaro Costa, capricha nas doses de compreensão e afeto. “Peço para o pai e o irmão não ‘mexerem’ com ela. Todos nós ficamos mais tolerantes. A fase, que dura de um a dois dias, acaba passando e muitas vezes nem percebemos”, conta.