07 de julho de 2026
Mulher

Toque de seda

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Estamos no outono, período de poucas chuvas, temperaturas amenas e baixa umidade do ar - o cenário propício para o ressecamento da pele. Para conservá-la e evitar alergias e outras doenças, a ordem é abusar dos hidratantes faciais e corporais, que ajudam a mantê-la saudável e bonita.

Como o próprio nome sugere, a função do hidratante é somente ajudar a manter a pele hidratada, afirma o dermatologista Claudio Sampaio Tonello. “Ele não rejuvenesce nem melhora a pele, mas serve para conservá-la”, diz.

Os cremes que têm ação oclusiva ajudam a impedir a perda de água e conservar a epiderme hidratada, explica Tonello. “Os melhores são feitos à base de uréia e lactato de amônia”, detalha ele. Mas nessa linha há ainda os produtos que contêm parafina, silicone, lanolina e propilenoglicol (tipo de álcool).

O mercado oferece diversos tipos de hidratantes: creme, loção, gel, emulsão ou spray. Para o corpo, são aconselháveis produtos em forma de creme, aponta Tonello.

Já para o rosto, os cosméticos variam de acordo com as características de cada pele. “Para a pele seca, o ideal é o creme. A oleosa, com espinhas ou cravos, pede o gel. Para a mista, o indicado é o oil-free, emulsão livre de gordura”, recomenda o dermatologista.

Em relação à qualidade, não há diferença em relação aos hidratantes de marca, encontrados em lojas e supermercados, ou produtos fabricados em farmácias de manipulação. “A uréia é encontrada basicamente em todos os produtos, o que difere é apenas o perfume”, diz o dermatologista.

O uso de filtro solar não funciona como protetor ou inibidor da desidratação, explica Tonello. Seu uso, porém, previne contra os raios solares nocivos à pele, ajudando a mantê-la saudável e livre de doenças. “O filtro deve ser associado ao hidratante. No mercado há muitos produtos que aliam filtro e hidratante”, salienta.

Água

Além do hidratante, para evitar que a pele fique ressecada no outono, é preciso atacar em outras frentes. Entre elas, abusar da ingestão de líquidos e evitar banhos quentes demorados. O ideal é tomar entre um litro e meio e dois litros de água por dia, aponta Tonello.

A alimentação não interfere diretamente na desidratação, com exceções para os legumes e frutas - chuchu, melancia, melão e tangerina - ricos em água. “As pessoas que têm pele oleosa se desidratam com maior freqüência. Os alimentos que contêm gordura, como a castanha e o azeite, ajudam a proteger”, acrescenta o dermatologista.

Apesar de gostoso e relaxante, permanecer muito tempo no chuveiro também não é recomendado para quem quer conservar a pele hidratada. “A água de Bauru, diferentemente das outras regiões, é ligeiramente ácida. O banho demorado é um fator que resseca bastante a pele”, explica Tonello. “No outono e inverno, a pessoa pode tomar banho quente, mas não deve se ensaboar ou demorar muito no chuveiro”, aconselha.

A melhor forma de hidratar o rosto e o corpo é aplicar o produto sobre a pele úmida, após o banho, destaca o dermatologista. “A pessoa não deve esfregar ou se enxugar demais. Em seguida, deve passar o hidratante. Se tiver a pele do corpo mista e da rosto oleoso, por exemplo, precisa passar produtos diferentes em cada área”, diz.

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Porque ocorre a desidratação

A desidratação provoca o ressecamento da pele, que “morre” e é substituída por outra, explica o dermatologista Claudio Sampaio Tonello. Segundo ele, o fenômeno pode ser visto sob dois aspectos. O primeiro deixa a pele mais sensível a alergias. Já o segundo é uma conseqüência natural do organismo humano. “O ressecamento é uma maneira que o corpo tem de trocar a pele velha por uma pele nova”, diz.

A desidratação pode ser causada por doenças, como a ictiose (pele constantemente seca, parecida com escamas de peixe), eczemas (secura na pele) ou alergias, detalha Tonello. Ou ainda por fatores externos, como a baixa umidade do ar, frio, vento ou sol em excesso, que interferem na quantidade de água da pele.

“Da mesma maneira que as árvores trocam as folhas, o organismo também troca a pele e cabelos. As vezes é até saudável que ocorra isso para a o fenômeno acontece no período do outono e inverno, que são períodos mais secos e frios”, observa Tonello.

Baseados nessa “arma” natural, alguns tratamentos dermatológicos apostam em ácidos ou peelings que estimulam o ressecamento da pele. “Se a pessoa acha que a pele está ruim, precisa primeiro ressecá-la para trocar de pele e só depois hidratar”, esclarece Tonello.

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Cabelos

A exemplo da pele, os cabelos também podem ficar mais ressecados no outono. O dermatologista Claudio Sampaio Tonello explica que a desidratação dos fios não é conseqüência direta de fatores externos, mas é provocado pelos banhos quentes e excesso de produtos químicos, como tinturas e xampus tonalizantes.

“O problema é o banho demorado. As mulheres, principalmente, abusam dos produtos que podem provocar o ressecamento dos fios e torná-los quebradiços”, diz o dermatologista.

Assim, a mesma dica para manter a pele hidratada vale para os cabelos: evitar lavá-los com água muito quente e caprichar na hidratação das madeixas. “Os produtos à base de óleo e silicone podem ser usados para ajudar a conservar os fios”, aconselha Tonello.