09 de julho de 2026
JC Criança

Vamos contribuir para acabar com a dengue?

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru passou o ano de 2004 sem registrar nenhum caso de dengue autóctone, ou seja, contraído na cidade. Acontece que o Aedes aegypti, mosquito transmissor dessa doencinha chata, que pode até matar, sabe muito bem encontrar os lugares mais escondidos para se reproduzir e aí, pronto, a dengue está de volta.

De acordo com informações da assistente social Cristina Lorenzetti Campos, responsável pela área educativa do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, Bauru já conta com 27 casos autóctones, quatro casos importados (pessoas que vieram de outras cidades já com a doença) e um caso de pessoa que estava em trânsito por Bauru. Isso significa que a “guerra” contra o mosquito da dengue não pode parar. Em 2003, a cidade teve 131 casos autóctones e 15 importados, em 2004, foram dois casos importados.

Cristina explica que isso ocorre por causa do desequilíbrio ambiental. “O lugarzinho dos mosquitos é na floresta, onde eles estão em equilíbrio com a natureza. Mas o seu habitat foi destruído e o Aedes se adaptou ao meio urbano.” Ela comenta que a cidade proporciona todas as condições para o “bichinho” viver bem, por isso é preciso eliminar seus criadouros. “Na cidade, o Aedes aegypti consegue um criadouro ‘artificial’ (na floresta, ele fica limitado à água das folhas e flores), encontra vegetação para se alimentar e, o que é pior, as pessoas para picar.” Quem pica é a fêmea, explica Cristina, pois ela precisa se alimentar do sangue para depois colocar os ovos na água. Qualquer recipiente com água é um criadouro do mosquito da dengue. Fique atento!

Nebulização

A nebulização somente é feita de forma emergencial. “Não podemos nebulizar sempre, pois mata o mosquito adulto, mas não mata suas larvas e, de certa forma, o veneno é jogado na natureza.” Ela conta que a maioria dos casos deste ano ocorreu na região da Vila Cardia e a área foi nebulizada pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). Cristina explica que está sendo promovida uma campanha envolvendo as entidades da região para colaborar no combate aos criadouros do mosquito. “Vamos contar com as pessoas da escola municipal Santa Maria, o pessoal da Igreja São Sebastião, do Centro Espírita Irmã Catarina e da Unidade de Saúde Cardia”, explica.

Da mesma forma, a equipe do Departamento de Saúde Coletiva vai orientar outras comunidades, mas a região onde ocorreram os casos é prioridade. E todos devem colaborar. Cristina acha muito importante a participação das crianças em campanhas de conscientização, pois são verdadeiros agentes multiplicadores. “Vocês podem e devem discutir o assunto na escola”, orienta.

Agentes de controle

Durante as campanhas de conscientização da população, os agentes de controle da dengue fazem visitas periódicas às residências para verificar se há criadouros do mosquito. “Eles também orientam sobre as formas de combate, os sintomas e os perigos da dengue.”

Por isso, ela pede aos moradores que recebam os agentes de controle e sejam colaboradores dessa campanha. “Os agentes do Centro de Controle de Zoonoses visitam casa a casa e precisam de incentivo para o trabalho, pois é bastante cansativo e depende muito das ações dos moradores.”

Sintomas

Os sintomas da dengue são febre alta, dores de cabeça, atrás dos olhos e nas costas, sangramento na gengiva e manchas pelo corpo. A forma hemorrágica da doença pode levar à morte. Em entrevista ao Jornal da Cidade, no mês passado, o coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue da Secretaria Municipal de Saúde, Flávio Tadeu Salvador, falou sobre os riscos da dengue hemorrágica. “É a resposta imunológica da pessoa que contraiu a doença, que não pode ser descartada de forma alguma”, alerta.

Em anos anteriores, a forma hemorrágica causou mortes nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Salvador explica que existem duas teorias para o desenvolvimento da forma hemorrágica da dengue: na reincidência da doença e uma reação diferente ao vírus. “Há ainda, manifestações hemorrágicas que não chegam a ser consideradas dengue hemorrágica. Mas a maior probabilidade disso ocorrer é com pessoas que já tiveram dengue”, explica.

• Serviço

Quadros suspeitos devem ser comunicados ao Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde pelo telefone (14) 3235-1458

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Fim aos criadouros

• Retire a água do pratinho da planta e coloque areia no lugar

• Guarde os pneus velhos em locais secos e cobertos

• Mantenha a laje da casa sempre seca

• Copos descartáveis, tampinhas e outras coisas que acumulam água, devem ir para a lata do lixo

• A caixa d’água deve estar sempre limpa e tampada

• Mantenha a lixeira sempre tampada

• As piscinas devem ser tratadas com cloro

• Lave sempre, com água e sabão, o recipiente de água dos animais domésticos

• A calha de água de chuva deve estar sempre sem folhas e outros materiais que possam impedir o escoamento de água

• O mosquito da dengue se reproduz em água acumulada