Diz um ditado militar que para garantir a paz é preciso estar pronto para a guerra. Desde que o Brasil saiu vitorioso do conflito com o Paraguai (1864-1870), suas tropas são treinadas para enfrentar situações de emergência, que podem conter o elemento surpresa da invasão. E as Forças Armadas devem estar de prontidão para se defender do inimigo seja por terra, pela água ou pelo ar.
Muito mais do que prontidão, os militares devem estar preparados para assegurar a defesa da soberania nacional e de seu imenso território. Para isso, o Ministério da Defesa investe em treinamentos de suas tropas. Pela segunda vez, a Força Aérea Brasileira (FAB) escolheu Bauru para realizar operações com um de seus esquadrões de transporte aeroterrestre.
A primeira operação em que aviões Bandeirante aterrissaram na cidade para treinamento de pilotos e pessoal de apoio foi em junho de 2001. Vinte militares do 4.º Esquadrão de Transporte Aéreo da FAB, sediados no Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, ficaram seis dias na cidade.
Agora, 60 militares do 1.º Esquadrão do 15.º Grupo de Aviação, com sede em Campo Grande/MS, estão em Bauru para a realização da Operação Onça II, que envolve duas aeronaves Bandeirante. No mês passado, eles estiveram em Presidente Prudente para executar a Operação Onça I. A indicação felina do nome do treinamento deriva da denominação do Esquadrão, batizado Onça devido à proximidade de sua sede com o Pantanal.
Os militares, em Bauru desde o último dia 9, ficam na cidade até quinta-feira, quando levantarão vôo de volta a Campo Grande. A Operação Onça II envolve o cumprimento de seis missões. O vôo de formatura é executado com duas ou mais aeronaves muito próximas para melhorar o apoio mútuo e lançamento de cargas.
O vôo de formatura básica ou tática prevê o treinamento da posição de ala dos pilotos e o emprego direto e real do vôo em situação operacional. Os aviões também navegam a baixa altura, cerca de 100 metros, sobrevoando circuitos de navegação nas vizinhanças de Bauru, com o objetivo de realizar lançamento de carga simulado.
As duas últimas missões também envolvem o lançamento de carga simulado. Na primeira, é realizada a simulação do lançamento de fardos através de pára-quedas. Na segunda, ocorre a simulação de lançamento de carga múltipla numa única passagem sobre o local.
Segundo o comandante do 1.º Esquadrão do 15.º Grupo de Aviação, tenente-coronel aviador Walter Augusto da Fonseca Jr., a operação busca a reciclagem das tripulações para esses tipos de missões. Outro objetivo é a formação dos novos pilotos. A escolha de Bauru para a realização dos treinamentos não foi feita aleatoriamente.
“Eu preciso mudar a geografia para que os pilotos diversifiquem os terrenos. Operamos muito em Campo Grande, que é nossa base. E lá os pilotos já conhecem bem o perfil do terreno. É preciso variar os tipos para que as tripulações se adestrem mais”, explica.
Na avaliação dele, não é porque o Brasil é um País pacífico que se deve relaxar nos treinamentos militares, realizados com o objetivo de deixar as tropas preparadas para o enfrentamento de um eventual inimigo. “As Forças Armadas treinam sempre para uma hipótese, mesmo que ela seja remota, como é o nosso caso. Nosso treinamento é feito para adentrar uma área em que haja cobertura de radar. Voamos baixo, a cerca de 100 metros, sem que o radar (inimigo) nos capte”.
O tenente-coronel explica que o vôo em formatura (dois aviões) visa aumentar a concentração da carga a ser lançada sobre o objetivo. “Essa carga pode ser munição, medicamento, comida, água e até mesmo uma tropa de pára-quedista. Ela será composta do que a tropa estiver precisando naquele momento”, conta.
Nos dez dias da operação, os aviões Bandeirante realizarão, no total, cerca de 50 vôos que vão render 40 horas de treinamentos no ar. Em julho, o 1.º Esquadrão do 15.º Grupo de Aviação realizará a Operação Onça III em Manaus/AM. O custo da operação não foi informado.
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Esquadrão cumpre ‘Missão de Misericórdia’ pelo País
O 1.º Esquadrão do 15.º Grupo de Aviação da Força Aérea Brasileira (FAB), criado em 1970, tem entre suas várias responsabilidades a chamada “Missão de Misericórdia”. É a tarefa de buscar doentes em regiões isoladas do País para levá-los a hospitais aptos a oferecer tratamento adequado.
Pela localização de sua sede, em Campo Grande/MS, realiza também missões de apoio às unidades do Exército e da Marinha instaladas nas fronteiras do oeste brasileiro. Seus aviões freqüentemente descem nos aeroportos de Corumbá/MS, na divisa do Brasil com a Bolívia, Porto Murtinho/MS e Forte Coimbra/MS (ambos nas margens do rio Paraguai), Cáceres/MT e São Simão/MT.
Formado por 80 militares (pilotos, mecânicos de vôo e apoio ao solo), o esquadrão opera cinco aviões Bandeirante fabricados pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).
Batizado de Esquadrão Onça, devido a sua proximidade com o Pantanal, suas aeronaves transportam pessoal e material aos pontos mais remotos da Região Centro Oeste. Dentre missões de porte já realizadas, destaca-se a participação na construção da rodovia Transamazônica, com o transporte de óleo diesel, peças, comida e pessoal. Também apoiou o trabalho de cartografia do rio Paraná.