Atentos à concorrência e à necessidade de “fisgar” novos clientes, pesqueiros do tipo pesque-pague na região têm buscado aumentar o potencial e a lucratividade dos negócios, oferecendo aos visitantes mais do que simples pescaria.
A maior parte dos estabelecimentos investiu nos últimos anos em restaurantes para garantir fonte de lucro alternativa, especialmente no período de frio, quando a pescaria entra em baixa.
Muitos pesqueiros também contam hoje com playground para crianças, mesas de jogos, quiosques para churrasco e grandes áreas verdes. O objetivo dos proprietários é configurar esses espaços como ambientes familiares, com atrativos diversos.
“Antes, os pais vinham para pescar e não tinham onde deixar as crianças. Por isso, tivemos que arrumar opções de lazer para elas. A estratégia é atrair toda a família”, observa o proprietário de um pesqueiro, Rodrigo Artioli Sandri.
Preocupados em atender o público infantil, alguns estabelecimentos se destacam pela infra-estrutura. Em Piratininga, um pesque-pague conta até mesmo com fraldário.
Em Agudos, Sandri foi além nos investimentos e montou uma loja especializada em artigos de pesca, que conta com cerca de 10 mil itens. Agora, o próximo projeto é construir chalés para impulsionar o potencial turístico da área.
Em Piratininga, Mario Donizete Fabri, responsável por um pesque-pague, também está atento às possibilidades de ampliação do negócio, instalado dentro da área de um sítio.
Ao lado da opção da pesca, o proprietário pretende explorar a vertente do turismo rural, oferecendo, entre outras atrações, passeios em charretes e trilhas ecológicas. No local, já existe restaurante que prepara comida em fogão a lenha. “Hoje em dia, o pesqueiro não dá tanto lucro. Por isso, é preciso aproveitar mais o potencial do local”, diz Fabri.
Em Arealva, o zootecnista Reinaldo Agostini Pascoal não tornou seu pesqueiro refém das vendas no varejo. Criando várias espécies em tanques, como pintados, dourados e tilápias, o zootecnista comercializa peixes no atacado, mantendo como clientes frigoríficos e pesqueiros.
Queda
De acordo com Jorge Menezes, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa), a venda de peixes nos pesqueiros caiu significativamente nos últimos anos, especialmente depois da adesão à modalidade pesque e solte.
“Isso contribuiu para que muitos pesqueiros enfrentassem dificuldades. Quem adotou estratégias, como caprichar no restaurante, oferecer bons pratos, atividades de lazer e bom atendimento está conseguindo sobreviver”, destaca.
“Muitos que fecharam também não tiveram a visão de se tornar um atrativo não só para o homem pescador, mas para toda a família”, completa o diretor, destacando que vários pesqueiros de sucesso transformaram-se em centros de lazer, com atividades diversificadas.