As tradicionais campanhas do agasalho são geralmente associadas a grandes mutirões de recolhimento de roupas usadas de casa em casa ou então a romarias de pessoas bem-intencionadas a postos de arrecadação para o depósito de peças em caixas de papelão.
A Campanha do Agasalho de Bauru-2005, lançada na semana passada, já descartou o recolhimento casa-a-casa devido ao seu alto custo e baixos resultados, e focou sua principal linha de atuação na definição de postos de coleta espalhados por toda a cidade.
No entanto, algumas ações isoladas chamaram a atenção dos participantes da reunião da última quarta-feira que definiu os parâmetros da campanha em Bauru. A titular da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes), Egli Muniz, declarou-se “entusiasmada” em especial com iniciativas adotadas por duas entidades públicas: a Universidade de São Paulo (USP) e a Companhia Paulista de Transmissão de Energia (CTEEP).
Apesar de adotarem o “modus operandi” tradicional de postos de coleta, as duas “estatais” agregaram às suas campanhas do agasalho novas estratégias que apresentaram resultados surpreendentes. No caso da USP, a iniciativa que ganhou o sugestivo nome de “Corrente do Bem” consiste em arrecadar dinheiro diretamente no universo de funcionários do complexo para comprar cobertores novos.
Segundo a assistente social da prefeitura do câmpus da USP-Bauru, Christine Habib, coordenadora da “Corrente”, o objetivo da ação é envolver todas as unidades uspianas (Centrinho, Faculdade de Odontologia e prefeitura do campus), o que representa cerca de 1.000 funcionários.
A “Corrente” propõe contribuições em dinheiro de R$ 4,00, através de um documento próprio, valor com o qual é possível a aquisição de um cobertor novo. Habib explica que, quase por acaso, tomou conhecimento de uma empresa na Capital que fabrica cobertores especialmente para as campanhas do agasalho a este valor.
“As caixas de coleta já estão consolidadas, vão continuar instaladas, mas com esta ação (a Corrente do Bem) criamos um diferencial de criatividade que deu bons resultados”, comenta a assistente social. Ela lembra ainda que a campanha do agasalho da USP, coordenada em nível estadual por Constantina Carmem Melfi, esposa do reitor da universidade, arrecadou ainda cerca de uma tonelada de peças nas caixas de coleta, apenas em Bauru.
A iniciativa da “Corrente” deu tão certo que acabou envolvendo até o projeto da USP para a terceira idade, com a instituição do “Dia da Doçura”. Na ocasião, os participantes do projeto doaram doces e salgados que foram vendidos a R$ 1,00, dinheiro que também acabou revertido para a compra de cobertores novos. Para este ano, a segunda edição da “Corrente do Bem”, com o auxílio da “Dia da Doçura”, espera superar os cerca de 600 cobertores comprados no ano passado.
Habib apóia a iniciativa de uma coordenação única, principalmente no trabalho de distribuição dos donativos. “Tanto a Sebes quanto o Fundo (Social de Solidariedade) são os órgãos máximos capazes de indicar, através de seus cadastros, quem mais precisa das doações”, diz.
Voluntariado
Na CTEEP, o que chamou a atenção dos presentes à reunião de quarta-feira foi, além dos bons resultados da campanha, o cuidado na preparação do material arrecadado em diversas caixas de coleta que são distribuídas por rede de parceiros da empresa.
Depois de receber os donativos, os funcionários da CTEEP, de forma espontânea e voluntária, sem gerar qualquer ônus financeiro para a empresa, se mobilizam para embalar uma a uma as peças e catalogá-las com etiquetas que indicam o tipo e o tamanho.
Em 2004, o resultado da coleta em pontos distribuídos por 12 empresas parceiras foi de quase 14 mil peças apenas em Bauru. “Ainda fazemos rifas e sorteios internos para suprir a campanha”, conta o assistente administrativo João Valdemar de Oliveira, um dos coordenadores da ação.
Ele lembra que a iniciativa, adotada em nível estadual em todas as unidades da CTEEP, vem se aprimorando com o passar dos anos, com resultados crescentes: em 2002, foram arrecadadas 52.500 peças, número que pulou para 151,4 mil em 2003 e para 288,7 mil no ano passado.
“Nossa meta estadual é superar a marca de 288 mil atingida em 2004”, diz Oliveira, que também elogiou a iniciativa da Sebes em coordenar a distribuição para evitar duplicidade de atendimento. “Nossos parceiros têm liberdade para indicar o destino de suas coletas, mas a coordenação (da Sebes) é positiva pois agora ela será informada sobre quem recebeu a doação”, completa.