08 de julho de 2026
Bairros

Moradores de favela sonham receber roupas e cobertores

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Há um ano, a reportagem do Jornal da Cidade visitou a favela situada às margens da avenida Comendador da Silva Martha, onde encontrou crianças que dormiam todas juntas e moradores que recorriam a fogueiras para fugir do frio que costuma ser mais rigorosa na região em função da proximidade de um rio (córrego Água da Ressaca).

Nesta semana, estes mesmos moradores só têm uma esperança: serem lembrados pelos promotores da Campanha do Agasalho e receberem, além de roupas usadas, alguns cobertores. “Nunca recebemos cobertores e não temos condições financeiras para comprar”, lamenta a dona de casa Joana Aparecida Silvestre Velasco, 59 anos.

Aos prantos, ela diz que já está assustada com a aproximação do inverno e a perspectiva de que sua família volte a enfrentar as dificuldades que encarou no ano passado devido à falta de cobertores. “Aqui (na favela) ninguém tem nada e vamos agradecer a Deus se aparecer um cobertor”, completa.

O catador de papel Edson Roberto de Oliveira, 31 anos, genro de dona Joana e pai de quatro filhos, lembra que no ano passado o “pessoal” da Campanha do Agasalho passou pelo bairro, mas deixou apenas algumas roupas. “Estavam usadas, mas deu para usar. Só que cobertor não veio e continuamos precisando”, diz.

A dona de casa Maria Rita da Silva, 48 anos, há 15 anos moradora no bairro, diz que a distribuição de agasalhos feita no ano passado, “na beira da pista”, foi a única que aconteceu em todo este tempo. Na ocasião, agentes da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) distribuíram na favela 82 kits de roupas (com cerca de 20 peças cada).

Já a dona de casa Maria Regiane Nascimento da Silva, 29 anos e quatro filhos, diz que sua família, nos dias de frio, costuma fazer uma fogueira na rua ficar até “altas horas” em volta do fogo como forma de aliviar a friagem. Ela também espera que seus filhos recebam roupas, “para ir na escola”, e principalmente cobertores, “que não duram muito tempo em casa com criança”.