09 de julho de 2026
Politicando

Coisas da ditadura militar


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O cacique Juruna conseguiu se eleger deputado federal pelo Rio de Janeiro, exercendo seu mandato com grandiloqüência e, às vezes, exagero. Um dia, ele chegou meio exaltado na Tribuna e começou a criticar tão brutalmente o presidente Figueiredo, que acabou dizendo um palavrão ao microfone, por meio do qual xingava explicitamente a mãe do presidente com aquele palavrão que todos conhecem.

Foi uma verdadeira convulsão no País. O presidente, que era general em plena ditadura militar e useiro, queria porque queria fechar o Congresso Nacional, alegando que era inadmissível aquela atitude e que ele iria excomungar com a tal abertura democrática, que tencionava amenizar os atos de exceção no Brasil.

Numa canetada, ele poderia, com o apoio total de seus colegas militares, acabar com todas as conquistas alcançadas até aquele momento a duras penas.

Então, uma comissão de parlamentares da oposição e da situação foi tentar demover o presidente daquela decisão terrível para a democracia.

Argumentaram que uma frase dita por uma única pessoa não poderia estragar todo um processo que vinha se arrastando há anos e a passo de ganso. Tentaram de todas as maneiras, mas não conseguiram mudar a posição do mandatário-mor.

Até que um parlamentar explicou que aquele “f.d.p.” dito pelo cacique Juruna não tinha o mesmo significado em tupi-guarani e que, naquela língua, estas palavras que para nós significam o máximo em xingamento não têm esta mesma conotação.

Depois de tanto argumentar daqui e dali, o presidente vencido pelo cansaço concordou em apenas pedir uma retratação pública por parte do parlamentar indígena.

Satisfeitos, os políticos que compunham a comissão agradeceram e se despediram do presidente e quando estavam perto da porta do gabinete, o general Figueiredo disse: “Só que tem uma coisa: vocês vão todos pra p.q.p”!

Desconcertados, reclamaram: “Que é isso, presidente”?

Respondeu Figueiredo: “Mas em tupi-guarani”! ...

Contada pelo cronista Marcondes Serotini Filho, de Barra