É final da manhã de domingo. Com o sol já a pino, a feira da rua Gustavo Maciel começa a dar sinais de esgotamento. É a hora da xepa, com ofertas de produtos e desconto de até 50%. Das barracas, ouvem-se gritos dos feirantes que ecoam preços atrativos, bem mais em conta se comparados com os do início da manhã. É fim de feira para uns, mas para outros é a hora de começar a flexibilizar o verbo pechinchar.
Com um pouco de paciência, é possível levar o maço de alface, por exemplo, até pela metade do preço comercializado no período das 7h às 11h. É só a dona de casa abusar do verbo e pronto: de R$ 1,00 cai para R$ 0,50. Os preços das chamadas verduras de folha são os que mais despencam na xepa. O maço de almeirão, que começa o dia custando, em média, R$ 1,00 sai, por volta das 11h30, meio-dia, por R$ 0,50.
Pode-se afirmar que uma boa parcela da população que freqüenta feiras livres percorre as bancas já no final de seu expediente. É o caso do ferroviário aposentado Ademir Teodelli Faria. Nem mesmo o sol escaldante que imperou na manhã de ontem o espantou da tarefa de abastecer a casa com verduras e legumes que serão consumidos durante a semana.
A primeira dica é dar uma “passeada” pela passarela de hortifrutigranjeiros e observar as ofertas. Depois, é só atacar. Dificilmente o feirante resiste às pechinchas. “É a melhor hora para chegar na feira”, diz Faria, com um maço de alface na mão, que de R$ 1,50 pagou R$ 1,00. Satisfeito, o aposentado estava começando a “correr o trecho” para aliviar o bolso.
A feirante Nair Pereira Lima Coracin, há dez anos no ramo, confirma que os preços são mais em conta para quem procura a feira já no seu final. “Eu trouxe 250 maços de alface para vender. Já são mais de 11h e ainda tenho cerca de 80. O jeito é baixar o preço para não levá-los de volta”, argumenta. Na sua banca, a verdura começou o dia custando R$ 1,50. “Reduzi para R$ 1,00 na esperança de vender tudo”.
Concorrência
A concorrência na hora da xepa é grande. O vizinho de banca de Nair, Mário Oao, tinha uma oferta ainda mais atrativa. O maço de alface caiu de R$ 1,00 para R$ 0,50. O almeirão já custava R$ 0,50 contra R$ 1,00 no início da manhã. O preço do brócolis foi reduzido de R$ 3,00 para R$ 2,00.
As ofertas surtiram efeito. Eram poucas as verduras de folha que estavam à mostra na banca do feirante. “Isso é tradição. Todo final de feira baixamos o preço para não ter que levar as verduras embora”, diz.
A tática de venda dos feirantes oferece economia para o bolso da clientela. “Chego a economizar até R$ 10,00 num domingo”, conta a aposentada Cristina Rodrigues, que gasta em média de R$ 15,00 a R$ 20,00 nas compras. De sacola na mão, ela afirma que conhece praticamente todas as bancas. “Vou naquela que eu sei que terei desconto”, ensina.
Se por um lado o fim de feira proporciona economia, é preciso ficar de olho na qualidade dos produtos. É a dica da dona de casa Vera Lúcia Detilha. “Os preços realmente são mais em conta, mas é preciso saber escolher porque a qualidade cai um pouco”, diz.
Aproveitando o domingo ensolarado para passear com a família, o gráfico Sebastião Monteiro de Lima não resistiu aos gritos dos feirantes interessados em desovar suas mercadorias. Encostou na banca e comprou um maço de alface por R$ 1,00, cuja folhagem ainda estava intacta. Ele diz que não costuma freqüentar a feira muito tarde. No entanto saiu satisfeito na hora de pagar.